Operação da PF prende pai de Daniel Vorcaro e afasta agentes da corporação
Investigação cita atuação de grupo chamado "A Turma" e conexão com operador apelidado de "Sicário"
14 MAI 2026 • POR Sarah Chaves • 09h11A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira (14), Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, durante nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de uso de agentes públicos e acesso ilegal a informações sigilosas para intimidar adversários ligados ao grupo do dono do Banco Master. A prisão foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.
A ofensiva é conduzida pela Diretoria de Combate ao Crime Organizado da PF, em Brasília, e teve como foco a estrutura conhecida nas investigações como “A Turma”, grupo apontado pela corporação como responsável por práticas de intimidação, coerção, obtenção de dados sigilosos e invasões a dispositivos eletrônicos. Segundo a PF, Henrique Vorcaro integrava o núcleo beneficiado pelo esquema e mantinha ligação direta com o filho e com o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.
As investigações ganharam força após a perícia em mensagens trocadas entre integrantes do grupo e Luiz Phelipe Mourão, conhecido como “Sicário” de Daniel Vorcaro. De acordo com a PF, Mourão tinha acesso a informações sigilosas da própria corporação e do Ministério Público Federal, que seriam utilizadas para monitorar, pressionar e levantar dados sobre pessoas consideradas adversárias do grupo, incluindo autoridades e jornalistas.
A PF aponta que Mourão exercia papel central dentro da organização, funcionando como elo entre agentes públicos e o núcleo ligado aos Vorcaro. A investigação sustenta que ele recebia informações privilegiadas de policiais federais e as repassava para integrantes de “A Turma”, composta por Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro e Fabiano Zettel.
Além da prisão de Henrique Vorcaro, a operação cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. Um agente da PF da ativa também foi preso. Já entre os alvos de busca estão um delegado e um agente aposentado da corporação. O STF ainda determinou afastamento de servidores públicos e bloqueio de bens dos investigados. Uma delegada e outro agente da PF foram afastados das funções.
Segundo a PF, a estrutura investigada teria sido utilizada para obtenção clandestina de informações e monitoramento ilegal em benefício de interesses privados ligados ao grupo empresarial investigado. Até o momento, a defesa de Henrique Vorcaro não se manifestou sobre a prisão.