Caso de jogador esquartejado: defesa de Rúbia consegue tirar júri de Sete Quedas
Segundo a defesa, existe uma "fundada dúvida" sobre a capacidade dos jurados de Sete Quedas atuarem com isenção e neutralidade durante o julgamento do caso
15 MAI 2026 • POR Vinícius Santos • 10h54A 2ª Seção Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) decidiu, por unanimidade, acolher o pedido de desaforamento do julgamento de Rúbia Joice de Oliver Luvisetto.
Com a decisão, o Tribunal do Júri, que originalmente ocorreria em Sete Quedas, será realizado na Comarca de Amambai. Rúbia é investigada pelo homicídio qualificado e ocultação de cadáver do jogador de futebol Hugo Vinícius Skulny Pedrosa, de 19 anos, ocorrido em junho de 2023.
Argumentos da Defesa e Clamor Público A defesa da ré sustentou que a imparcialidade do Conselho de Sentença em Sete Quedas estaria comprometida devido ao "avassalador clamor público" e à intensa exposição do caso na mídia e redes sociais, o que configuraria um "julgamento pela mídia" (trial by media).
Os advogados argumentaram que, em uma cidade de aproximadamente 11 mil habitantes, seria quase impossível compor um júri sem vínculos diretos ou indiretos com os envolvidos.
O Peso da Opinião do Juiz Local
Embora o relator do caso, Desembargador Jairo Roberto de Quadros, tenha inicialmente observado que a repercussão midiática isolada não justifica a mudança de foro, a manifestação do juiz da Comarca de Sete Quedas foi considerada decisiva.
O magistrado local alertou para uma "polarização sem precedentes" na comunidade e um risco real de turbação da ordem durante o julgamento. Ele destacou que a popularidade da vítima — um jovem atleta com ampla inserção social — aliada à brutalidade da execução, contaminou o ânimo dos jurados locais, tornando a isenção do Conselho de Sentença "praticamente impossível".
Detalhes do Crime e Próximos Passos
De acordo com o processo, Hugo Vinícius foi atraído para uma residência, morto a tiros e golpes de facão, tendo seu corpo esquartejado e lançado no Rio Iguatemi. Devido à gravidade e ao inconformismo social, a Justiça já havia imposto anteriormente que a ré permanecesse em outro estado para resguardar a ordem pública.
O TJMS definiu Amambai como o novo local do julgamento por ser uma comarca de segunda entrância próxima e com estrutura suficiente para garantir a segurança e a soberania dos vereditos.
JD1 No Celular
Acompanhe em tempo real todas as notícias do Portal, clique aqui e acesse o canal do JD1 Notícias no WhatsApp e fique por dentro dos acontecimentos também pelo nosso grupo, acesse o convite.