Câmara analisa nova punição contra Pollon por manifestação em Campo Grande
Sessão desta terça (19) discute fala do parlamentar em ato ligado aos presos do 8 de janeiro
19 MAI 2026 • POR Sarah Chaves • 12h51O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados analisa nesta terça-feira (19) uma nova representação contra o deputado federal Marcos Pollon, desta vez relacionada a um discurso feito em defesa da anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro.
A análise é diferente da votação realizada no último dia 5 de maio, quando o colegiado aprovou a suspensão do mandato do parlamentar por 60 dias devido à ocupação da Mesa Diretora da Câmara durante protesto pró-anistia em agosto de 2025.
Agora, o Conselho avalia uma representação ligada a uma manifestação realizada por Pollon em Campo Grande, no dia 3 de agosto. O relator do caso recomendou suspensão de três meses do mandato do deputado em razão das declarações feitas durante o ato. Segundo Pollon, a medida representa perseguição política. “Discursar é não apenas um direito, mas uma das funções essenciais do mandato, atividade indispensável à democracia e integralmente protegida pela Constituição”, afirmou o parlamentar.
O deputado também declarou que estaria sendo alvo de tratamento diferente dentro da Câmara. “É evidente que tem uma perseguição pessoal do modo que foi conduzido. É sim. Perseguição por eu ser o único indicado por carta pessoalmente pelo presidente Bolsonaro”, disse.
A sessão desta terça-feira ocorre no mesmo dia em que termina o prazo para apresentação de recurso à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) contra a decisão anterior do Conselho de Ética. Na votação do último dia 5, Pollon, Marcel van Hattem e Zé Trovão tiveram os mandatos suspensos por 60 dias após ocuparem a Mesa Diretora da Câmara em protesto pela inclusão do projeto de anistia na pauta do plenário.
Na ocasião, o Conselho entendeu que os parlamentares cometeram quebra de decoro ao impedir o retorno do presidente da Câmara, Hugo Motta, à Mesa Diretora. Pollon foi acusado de sentar na cadeira da Presidência da Casa durante a manifestação.
Familiares de presos pelos atos de 8 de janeiro e apoiadores do deputado têm se mobilizado nas redes sociais para acompanhar a sessão desta terça-feira no Conselho de Ética.