Transparência

Juízes podem passar a ter contracheque único em meio à ofensiva contra 'supersalários'

Medida será analisada pelo CNJ e busca ampliar transparência sobre salários, indenizações e gratificações

25 MAI 2026 • POR Vinícius Santos • 08h22
Presidente do STF e do CNJ, Min. Luiz Edson Fachin | Foto: Luiz Silveira

Em meio ao endurecimento das regras contra os chamados “supersalários” no serviço público, o presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, apresentou uma proposta de resolução que prevê a criação de um contracheque único para magistrados de todo o país.

A medida deve ser analisada pelo CNJ nesta terça-feira (26) e busca ampliar a transparência e o controle sobre os pagamentos feitos à magistratura, em cumprimento às recentes decisões do STF relacionadas às verbas indenizatórias e ao respeito ao teto constitucional.

A proposta prevê a criação da chamada Tabela Remuneratória Unificada (TRU), além da adoção obrigatória de nomenclaturas padronizadas para todas as rubricas remuneratórias. 

Pelo texto, cada magistrado deverá receber apenas um documento mensal contendo o detalhamento completo do subsídio, indenizações, gratificações e demais valores recebidos, ficando proibida a emissão de folhas suplementares ou documentos paralelos de pagamento.

O objetivo, segundo o CNJ, é uniformizar as informações e facilitar a fiscalização dos vencimentos pagos pelo Poder Judiciário em todo o Brasil. Auditoria realizada pelo órgão identificou mais de 500 registros diferentes de verbas indenizatórias utilizados pelos tribunais, muitos deles com nomenclaturas variadas para pagamentos semelhantes.

A resolução também estabelece mecanismos permanentes de controle das folhas salariais, incluindo envio padronizado de dados ao CNJ, integração de sistemas e possibilidade de acompanhamento direto pela Corregedoria Nacional de Justiça.

Entre os pagamentos que deverão constar no contracheque único estão diárias, ajuda de custo, remuneração por aulas, gratificações, indenização de férias e valores retroativos pendentes.

Caso seja aprovada, a proposta dará prazo de 60 dias para que os tribunais de todo o país se adaptem às novas regras. Ao comentar a medida, Fachin afirmou que a iniciativa permitirá maior transparência sobre os valores recebidos pela magistratura.

Segundo o ministro, a resolução fará com que o Judiciário apresente à sociedade, de forma mais clara, tudo aquilo que é pago pelos serviços prestados, fortalecendo a prestação de contas e o controle público sobre os recursos.

Proibição dos “supersalários”

O debate sobre os chamados “supersalários” ganhou força nos últimos meses após decisões do STF envolvendo o teto constitucional no serviço público.

Em fevereiro deste ano, o ministro Flávio Dino concedeu liminar suspendendo pagamentos de verbas indenizatórias que ultrapassavam o teto constitucional em diferentes órgãos públicos.

Já em maio, os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes reforçaram, em decisão conjunta, as restrições relacionadas ao regime remuneratório da magistratura e do Ministério Público.

Na determinação, os magistrados esclareceram que também ficam proibidas revisões, reclassificações ou reestruturações de comarcas, unidades funcionais, cargos e funções do Judiciário, Ministério Público, Tribunais de Contas, Advocacia Pública e Defensorias Públicas que possam resultar em pagamentos incompatíveis com o teto constitucional estabelecido pelo STF.

JD1 No Celular

Acompanhe em tempo real todas as notícias do Portal, clique aqui e acesse o canal do JD1 Notícias no WhatsApp e fique por dentro dos acontecimentos também pelo nosso grupo, acesse o convite.