Polícia

Dívida de R$ 200 e confusão em conveniência motivaram execução no Lageado

DHPP conduziu investigação que levou à prisão de dois suspeitos no homicídio; Higor Ricardo Alcântara Riquelme segue foragido

25 MAI 2026 • POR Vinícius Santos • 12h54
Prisão foi feita pela DHPP - Divulgação/PCMS

Está foragido um dos supostos mandantes do assassinato a tiros de Luiz Henrique Souza da Silva, morto em 30 de janeiro deste ano, no bairro Lageado, em Campo Grande. O investigado é Higor Ricardo Alcântara Riquelme, apontado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) como um dos responsáveis pela articulação do crime.

Segundo a investigação, Higor seria sócio de Igor Coeva Guerreiro em uma conveniência, e ambos são citados como envolvidos na dinâmica do homicídio, incluindo a suposta entrega da arma de fogo utilizada na execução.

Mario Márcio de Freitas Lemes Fialho e Igor Coeva Guerreiro, estão presos e respondem ao processo. Mario Márcio é apontado como o executor dos disparos, enquanto Igor Coeva é investigado também como suposto mandante e articulador do crime.

Investigação

De acordo com a DHPP, a motivação do homicídio estaria ligada a uma dívida de aproximadamente R$ 200 que a vítima teria com Igor Coeva, relacionada a suposto comércio de drogas.

A investigação aponta que, cerca de três dias antes do crime, vítima e Igor teriam se envolvido em uma discussão na conveniência de propriedade do investigado, ocasião em que Igor teria ameaçado a vítima, afirmando que buscaria uma arma para “acertar as contas”.

No dia do homicídio, conforme relatos colhidos pela polícia, Mario Márcio teria passado inicialmente em frente à residência da vítima acompanhado de Higor Riquelme. Em seguida, Mario teria retornado ao local armado e efetuado os disparos contra Luiz Henrique, que estava sentado na área do imóvel, sem chance de reação.

Ainda conforme a investigação, antes dos disparos, o atirador teria feito uma provocação verbal, mencionando expressão relacionada ao desentendimento anterior, dizendo “você não é o bichão?".

A DHPP também registrou relatos de que, após o crime, haveria intimidação de testemunhas, com ameaças indiretas atribuídas a envolvidos no caso, incluindo a frase “cagueta tinha que morrer”, citada em depoimentos colhidos na fase policial.

Para a Polícia Civil, o conjunto de elementos indica atuação coordenada entre os investigados, com Igor Coeva e Higor Riquelme apontados como supostos mandantes e fornecedores da arma, enquanto Mario Márcio seria o executor dos disparos.

Liberdade negada

Em decisão recente, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) negou o pedido de revogação da prisão de Igor Coeva Guerreiro, um dos investigados por suposto envolvimento no caso.

A defesa alegou ilegalidade da custódia, ausência de fundamentação individualizada, falta de fatos novos e pediu a substituição por medidas cautelares alternativas.

Ao analisar o pedido liminar, o desembargador Fernando Paes de Campos negou a solicitação, ao entender que a decisão de primeiro grau está devidamente fundamentada, com base na materialidade do crime, indícios de autoria e requisitos cautelares.

O magistrado destacou a garantia da ordem pública e a conveniência da instrução criminal como fundamentos da prisão, ressaltando ainda o risco de interferência na produção de provas e a possível intimidação de testemunhas.

Diante disso, entendeu que medidas alternativas não seriam suficientes para assegurar o andamento do processo. A Justiça já havia decretado a prisão preventiva com base em indícios iniciais de autoria e materialidade, decisão que foi mantida pela 3ª Câmara Criminal, de forma unânime.

O processo tramita na 1ª Vara do Tribunal do Júri, sob presidência do juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida.

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