Rota Bioceânica enfrenta gargalos e depende de mais de R$ 200 milhões para avançar, diz diplomata
Durante palestra em Campo Grande, especialista aponta falta de recursos, integração aduaneira incompleta e desafios em obras de fronteira
25 MAI 2026 • POR Taynara Menezes e Sarah Chaves • 16h49A consolidação da Rota Bioceânica ainda depende da liberação de recursos e da superação de entraves estruturais e operacionais nas áreas de fronteira, foi o que o diplomata do Ministério das Relações Exteriores, João Carlos Parkinson de Castro, explicou durante o 3° Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária, realizado no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camilo, nesta segunda-feira (25), em Campo Grande.
O evento segue até amanhã (26) reunindo debates sobre logística, infraestrutura, segurança viária e integração internacional. Segundo o diplomata, o corredor bioceânico já conta com estudos e um conjunto de quase 300 ações propostas, mas ainda enfrenta desafios para sua plena implementação.
“Foi feito um estudo amplo, com quase 300 ações propostas. Agora cabe aos governos implementarem uma boa parte disso. Estamos enfrentando problemas de carência de recursos para construir a área de controle integrado. São necessários cerca de 200 a 250 milhões de reais para complementar as obras de acesso à ponte e toda a estrutura”, pontuou.
Além da questão financeira, ele citou a falta de integração entre os órgãos responsáveis pela fiscalização e controle de cargas nos países envolvidos na rota, conforme ele, é preciso melhorar a coordenação entre Receita Federal, Ministério da Agricultura e Pecuária, Anvisa, Polícia Federal e as autoridades paraguaia.
A ausência de um sistema unificado de controle aduaneiro foi apontada como um dos principais desafios técnicos do projeto. O diplomata reforçou ainda que a responsabilidade pela liberação dos recursos é do governo federal e defendeu articulação política para evitar atrasos no cronograma.
“Esses recursos precisam vir do orçamento federal. Estamos buscando apoio para que a liberação aconteça o mais rápido possível. O corredor não é apenas rodoviário. Ele também precisa ser energético e aéreo, além de sustentável. É preciso pensar em descarbonização, rastreabilidade, previsibilidade e segurança logística”, concluiu.