Polícia

Réu atribui mortes a 'excesso de raiva' e rejeita versão de premeditação

João Augusto está sendo julgado pelas mortas da esposa e da filha no ano passado, em Campo Grande

27 MAI 2026 • POR Vinicius Costa e Vinicius Santos • 11h11
João Augusto senta no banco dos réus - Vinicius Santos

Durante interrogatório em audiência, o réu João Augusto Borges de Almeida, de 22 anos, afirmou que perdeu o controle após levar um tapa de Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, durante uma discussão doméstica e negou ter planejado os crimes pelos quais é acusado. Segundo ele, a reação ocorreu de forma impulsiva e sem consciência do que fazia.

Ele declarou não lembrar com precisão dos desdobramentos após o episódio e disse que, no momento, estaria “fora de controle”. João Augusto também negou uso de drogas e afirmou consumir apenas bebidas alcoólicas, ressaltando que não havia ingerido álcool no dia em questão por estar trabalhando.

Ao ser confrontado com depoimentos de testemunhas que apontam possível premeditação dos crimes, ele rejeitou a versão e afirmou que as pessoas “estão mentindo”. O réu sustentou que o comportamento teria sido resultado de um “excesso de raiva”, incompatível, segundo ele, com qualquer planejamento prévio.

O juiz ainda questionou versões anteriores apresentadas pelo acusado à polícia, incluindo uma possível motivação ligada a pensão alimentícia, que João Augusto afirmou ter declarado sob indução durante o interrogatório policial. Ele também citou um episódio anterior de perda de controle envolvendo a tentativa de localizar uma pessoa após o roubo de um animal de estimação.

Em outro momento da audiência, ao ser questionado sobre a causa da morte apontada pela perícia, que indicaria estrangulamento, o réu disse não se lembrar dos detalhes. Ele voltou a atribuir o episódio ao estado de descontrole emocional, afirmando que o gatilho teria sido o tapa recebido e reforçando que não se recorda do momento exato do crime.