Operação mira produtora de filme sobre Bolsonaro e instituto contratado pela Prefeitura de SP
Polícia Civil investiga suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos do programa WiFi Livre SP
1 JUN 2026 • POR Sarah Chaves • 10h22A Polícia Civil de São Paulo cumpriu, na manhã desta segunda-feira (1º), mandados de busca ligados à investigação de um contrato de internet gratuita firmado entre a Prefeitura da capital paulista e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). A apuração também atingiu a produtora responsável pelo filme "Dark Horse", que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As buscas foram realizadas na sede da Go UP Entertainment, produtora do longa-metragem, em endereços ligados à empresária Karina Ferreira da Gama, além da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e do próprio ICB, entidade presidida por ela.
Segundo a investigação, há suspeitas de superfaturamento no contrato do programa WiFi Livre SP e de possível desvio de recursos públicos. A polícia apura se parte do dinheiro recebido pelo instituto foi direcionada para empresas de Karina, incluindo a produtora do filme.
De acordo com documentos da investigação, os policiais suspeitam que tenha ocorrido confusão patrimonial entre o instituto e a produtora, com eventual uso de recursos públicos para financiar atividades relacionadas ao longa-metragem. Também são investigadas possíveis operações para ocultar a origem dos valores.
A operação foi autorizada pela Vara de Garantias do Tribunal de Justiça de São Paulo. Conforme revelado anteriormente pela imprensa paulista, a Polícia Civil já havia solicitado acesso a dados financeiros de Karina e das empresas ligadas a ela.
Em nota divulgada anteriormente, a Prefeitura de São Paulo afirmou que não identificou irregularidades na execução do contrato até o momento, mas informou que adotará as medidas necessárias caso as investigações apontem problemas.
Karina Ferreira da Gama já havia negado qualquer ligação entre recursos públicos e a produção de "Dark Horse". Segundo ela, o filme não recebeu dinheiro de empresas ou pessoas brasileiras e a contratação do instituto pela prefeitura ocorreu de forma regular.
O filme ganhou repercussão após reportagens apontarem que o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, teria destinado R$ 61 milhões para o projeto. O caso também é alvo de apurações sobre a origem e a destinação dos recursos.