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Atendimento no setor de queimados da Santa Casa aumenta 70% no fim do ano

Mais da metade das internações deste ano estão associadas com uso de álcool em “bifes na chapa”

16 NOV 2016 • POR Assessoria de Imprensa • 15h19
Reprodução

Com o início das comemorações de fim de ano chegando, o número de atendimentos no setor de queimados da Santa Casa de Campo Grande aumenta 70%. A explicação para o número crescente está nas comemorações da época, muitas famílias optam por comemorar preparando assados em churrasqueiras e chapas. Atualmente o setor de queimados da ABCG - Santa Casa possui 16 leitos, todos ocupados por pacientes que foram acometidos por algum tipo de queimadura, dentre eles por uso de álcool para assar bife na chapa. 

De acordo com dados do setor de queimados do hospital, de janeiro até o início do mês de novembro deste ano, houve aproximadamente 150 internações, sendo que 60% delas estão associadas a queimaduras com o uso de álcool em “bifes na chapa” e também são causadas por agentes térmicos, químicos, elétricos ou radioativos que agem no tecido de revestimento do corpo, destruindo parcial ou totalmente a pele, podendo atingir tecidos mais profundos, como o subcutâneo, o músculos, o tendões e ossos.

De São Gabriel do Oeste, Zoni Vieira da Silva, internado há pouco mais de um mês após se queimar manipulando uma chapa onde iria fazer bife com os amigos. Hoje, em tratamento ele garante a desaprovação do uso das chapas em comemorações. “Realmente eu nunca imaginei que isso iria acontecer comigo, mas também dou um alerta para que ninguém utilize o álcool desta forma, é preciso se conscientizar de que ele é um perigo”.

Outro caso é do paciente Bruno Gonçalves da Silva que está internado no hospital há 48 dias em tratamento de queimadura envolvendo 40% da superfície corporal depois de ter sapecado vara de pesca com um galão de álcool. Na explosão, seus pais e seu filho, de apenas dois anos, também se queimaram. “Foi uma questão de minutos e tudo aconteceu. Ali eu esqueci de mim, o que eu queria mesmo é ajudar meu filho que estava nos braços do meu pai em chamas. Ele queimou 55% do corpo, mas meu ferimento foi mais sério”, relembra.

Por ser considerado um dos maiores traumas, as queimaduras exigem tratamento de alta complexidade com equipes multiprofissionais e têm taxas de mortalidade alta em todo o mundo, sendo considerado um problema de saúde pública. Para a chefe de enfermagem do setor, Glacy Cardoso, as indicações são de cuidado e prevenção para evitar possíveis acidentes.

“Infelizmente muitas pessoas ainda continuam se queimando com a utilização inadequado do álcool, mas também há casos com crianças, por isso toda vez que for mexer com coisas quentes, é importante fiscalizar para que nenhuma delas corram o risco de se queimar, puxando as alças de panelas, chaleiras e outros”, conclui.