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Desafios: pagamento de salários e gastos com pessoal é um grande gargalo

Marquinhos Trad pediu paciência e quer resolver impasse até dia 10

4 JAN 2017 • POR Liziane Berrocal e Gerciane Alves • 17h11

Em mais uma matéria da série “Desafios” que o Jd1 Notícias iniciou no começo desta semana nesta quarta-feira (4) vamos destacar que entre as dificuldades que o Prefeito Marquinhos Trad já vem enfrentando, uma delas é conseguir recursos para pagar os salários dos servidores municipais de Campo Grande. 
O problema vai além do 13º atrasado e salários de dezembro, já que apesar de não entrar na “despesa de pessoal” também fica a cargo da prefeitura o pagamento dos salários e direitos trabalhistas dos funcionários da Omep e Seleta, quem entram nessa dança nada divertida onde o prefeito vai ter que rebolar pra fazer a folha de pagamento caber no orçamento da prefeitura. 

Nesta manhã (4) os funcionários demitidos da Omep e Seleta lotaram a Câmara Municipal. Presentes ali não estavam apenas ex-funcionários, estavam pais e mães desesperados porque já não sabem a quem recorrer. Famílias que não tiveram o que comemorar no fim do ano já que o presente que receberam não foi nada agradável. É o caso da Deise Adriana, ex-funcionária que foi a primeira a usar a palavra. “Não somos fantasmas, porque fantasmas não cuidam de crianças, não saem de suas casas de chuva e sol, passamos um final de ano sem ter nem o que colocar na mesa para nossos filhos. Não estamos para fazer baderna, nem nada, mas lutar por nossos direitos. Sabemos que a prefeitura está um caos, entendemos que não será fácil para o novo prefeito, mas contamos com você”, disse ela se dirigindo a Marquinhos. 

“Estamos desesperados porque não temos nada, as contas chegando e não temos nada”, desabafou. Carla Regina, na mesma situação, usou o microfone para se indignar. “Eu sou assistente social, nós provavelmente não seremos recontratados, eu sou contratada como técnica de nível superior e não sabemos como vai ficar nossa situação para os cargos que exijam os concursados. E se recontratar? Vamos perder os direitos trabalhistas? Estamos perdidos, não sabemos o futuro”, afirmou ela. A pergunta era sempre a mesma.

 “Como vai ficar nossa situação, passamos o natal sem nada para nossos filhos e há crianças que estão desesperadas. Nós não somos fantasmas, somos trabalhadoras, e queremos nossos direitos. Queremos uma decisão exata. Eu não consigo dormir, eu não consigo viver, o descaso é muito conosco, nós trabalhamos o ano inteiro”, disse Ana Lucia aos prantos. 

O problema também é grande para quem não sabe se terão os direitos garantidos, como é o caso de Fernanda Luz que está de licença maternidade e afirmou que não sabe como vai fazer. “Já fui atrás, estou na última semana de gestação e queria saber como vai ficar minha situação, porque não sei o que fazer”, afirmou ela, grávida de noves meses. 

Ciciliana Maria que é da residência inclusiva que acolhe pessoas da rua, com deficiência, afirmou que continua trabalhando, mesmo sem décimo terceiro, sem salários. “No dizer muito popular de amar ao próximo como a si mesmo, porque são pessoas que dependem totalmente de nós, de remédios, de alimentação. E queria saber a posição do que vai acontecer com a gente”, disse. “Tem gente que aqui tem 20 anos de Seleta, como fica?”, questionou. 

Na contra partida o prefeito Marquinhos Trad pediu paciência para até dia 10 pagar os salários de dezembro e décimo terceiro. Mas a demissão em massa das duas empresas é apenas uma parte do desafio. A prefeitura precisa arrecadar dinheiro para pagar o salário dos demais servidores públicos municipais. De acordo com a assessoria de comunicação, hoje a prefeitura tem R$ 37 milhões em caixa e precisa de mais R$ 29 milhões para fazer o pagamento líquido do salário dos servidores.

Além disso, o chefe do Executivo pediu ajuda aos campo-grandenses, para que os moradores paguem o IPTU e assim ajudem a aumentar a arrecadação da Capital. “Mas como vou fazer isso? Como vou ajudar se eu ainda não recebi meu salário?”, questionou um servidor municipal mostrando que o desafio vai além de unir forças. “Querer eu até queria, mas para isso preciso receber”, afirmou.