Agepen vai investigar mortes ocorridas em presídios de MS
Enforcamento é causa aparente, mas há suspeita de guerra de facções
13 JAN 2017 • POR Liziane Berrocal • 11h22Após mais uma morte de preso acontecer no Estado, supostamente por brigas entre facções, a Agepen (Agência Estadual de Administração Penitenciária) afirmou que está apurando as mortes. Segundo as informações, a morte do interno Cristiano de Carvalho Mello, 29 anos, na Penitenciária de Naviraí ainda está sendo apurada.
Ele foi encontrado no início da tarde desta quinta-feira (12) enforcado com uma corda artesanal em uma das celas do presídio, e segundo a assessoria a perícia técnica foi chamada para fazer as averiguações no local. Além disso, como é de praxe, a Polícia Civil investiga o caso.
Cristiano cumpria pena por tráfico de entorpecentes e estava preso desde 31de agosto de 2014. Essa foi a segunda morte, também por enforcamento. Ele é apontado como integrante da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) que estaria em “guerra interna” com outras facções como o Comando do Norte e Comando Vermelho. As brigas entre os bandos já deixaram um saldo de cem mortos nas rebeliões que ocorreram em Manaus e Roraima.
Mato Grosso do Sul entra na “rota” com a informação de que a ordem para a rebelião de Manaus tenha partido do presídio federal que está instalado na Capital, onde estão presos os chefes da facção criminosa que controla o tráfico de drogas na região Norte do Brasil.
Nesta quarta-feira (11) desembarcaram no Aeroporto Internacional de Campo Grande, os presos que teriam comandado o massacre com a morte de 61 detentos na rebelião do dia 1 deste ano.
Vídeo “desmascara” suicídio em presídio
A tática de matar por enforcamento, segundo apurado pela reportagem, é para simular um suicídio, porém, um vídeo divulgado pelo JD1 Notícias mostrou que detentos também comemoraram a morte de um “rival” em vídeo em que ele aparece pendurado por uma corda.
O cadáver exposto no vídeo era de Makanaky Nobre dos Santos Nascimento, que foi para o Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande no dia 16 de dezembro último, oriundo de outra instituição penal. Ele respondia por tráfico de drogas e seu corpo foi encontrado no saguão superior do pavilhão 2, ala B. O homem estava enforcado com uma corda artesanal, chamada de Tereza, que estava presa à janela de um banheiro.
No vídeo, onde o suposto rival não aparece, as palavras são de comemorar. “Vergonha aí oh, CVZão, pendurado,esse pilantra do c*. Oh que bonitinho que ele ta. Vai bocó, vai segurando “, comemora um preso enquanto filma. O vídeo chegou à reportagem de forma anônima e mostrou que a guerra de facções que fazem parte dos presídios também é realidade em Mato Grosso do Sul.
A alusão a "CV" é em relação a facção criminosa Comando Vermelho que é oriunda do Rio de Janeiro tendo como principal nome o narcotraficante Fernandinho Beira Mar, que já esteve preso em Mato Grosso do Sul em uma ação que gerou polêmica na época. Já o PCC é o Primeiro Comando da Capital, facção criminosa oriunda dos presídios de São Paulo que tem como principal expoente Marcos Camacho, o Marcola.
Agepen já estaria em alerta para possíveis ações
Após o vídeo ser divulgado, o diretor presidente da Agepen (Agência Estadual de Administração Penitenciária) Ailton Stroppa afirmou que diante dos últimos acontecimentos de rebeliões que resultaram em dezenas de mortes em presídios como o caso de Manaus e Roraima colocou a direção em estado de alerta sim.
“Claro que há um alerta, mas acompanhamos minuto a minuto o sistema prisional estadual para nos anteciparmos a quaisquer ações, no sentido de evitá-las. Ao mesmo tempo, a Agepen e todas as forças policiais estão preparadas para dar resposta pronta e efetiva às crises”, afirmou em entrevista ao JD1 Notícias.
Confira o vídeo de preso que comemorou a morte de rival em MS: