Para dar esperança, estudante conta história que deu certo para protetora de animais de Campo Grande
22 MAR 2017 • POR Fernanda Palheta • 12h09No início do mês uma mensagem chamou a atenção da protetora de animais e professora, Bruna Rajão. O texto começa com a estudante de Administração e assistente de departamento financeiro do Hotel da Cuia, que mora em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, Bruna Kraemer contando sua história e da cachorra Nuvem.
Diferente do que a protetora costuma receber, a mensagem não era um pedido de ajuda. O texto da estudante relatava uma história que deu certo. A protetora confessa que não viu a mensagem assim que recebeu. “Quando vi pensei que fosse mais um pedido. Demorei até pra ler porque pensei que a pessoa acharia outra pessoa para ajudar”, explicou.
Mas quando leu a protetora se surpreendeu. “Adorei receber a mensagem dela, quando li fiquei muito surpresa. E achei linda a parte em que ela falou que não era pedido de ajuda, já que sempre ou 99% das vezes é”, contou a protetora que por dia recebe entre um e dois pedidos de ajuda.
A estudante e assistente financeira conta que conheceu a protetora por acaso e começou a acompanhar o trabalho dela por meio de redes sociais depois do caso do Thor, “um cachorrinho protegido por ela”. Bruna explicou que a ideia de mandar a mensagem surgiu quando ela percebeu a “quantidade de pedidos de ajuda que ela estava recebendo e como ela estava sobrecarregada”, ressalta.
A mensagem foi a forma que a estudante encontrou de “proporcionar um pouquinho de alegria e de esperança”. “Sei que o que ela faz não é nada fácil e acredito que se cada um fizesse sua parte, pessoas como ela não precisariam se desdobrar para ajudar a todos. Como disse para a Bruna [na mensagem]: com cada um fazendo um pouquinho, ajudamos muito mais!”.
Uma história que deu certo
Além do nome em comum, Bruna Kraemer, de 20 anos, também é apaixonada por animais. E sua história começou há três anos, quando a Nuvem cruzou o seu caminho. Quando voltava do colégio ela viu a cadelinha andando pela rua de sua casa. “Ela estava magra ao extremo, com as costelas à mostra, com sede e toda machucada. Cheguei em casa contei para minha mãe e, assim, começamos a dar comida e água para ela”, relata.
A estudante conta que no início não conseguia chegar perto da cadelinha, que corria embora sempre que ela se aproximava, “acreditamos que ela tenha apanhado e sofrido muito na rua”. Mas a cachorra começo a voltar todo dia para comer. Depois de algumas semanas, Bruna conta que conseguiu fazer carinho nela pela primeira vez. A cachorrinha nunca mais foi embora.
Sem condições financeiras para adoção, a família continuou ajudando a cachorra, que fica na rua da casa. “Quase morria de alegria quando nos via pela janela ou saindo pela porta”, conta. O nome foi escolhido pelo primo de Bruna, que olhando para o céu escolheu o nome de nuvem.
Alguns meses depois a cachorra deu cria, foi então que os problemas começaram. “Algumas pessoas ficaram incomodadas e houve boatos de que iriam “fazer a limpa” nos cachorros da vizinhança. Enlouquecemos quando ficamos sabendo disso”, relata Bruna.
A estudante encontrou donos para os filhotes e a família decidiu adotar a Nuvem. Mas além do problema financeiro, a Nuvem não se adaptou com os outros cachorros da casa. “A solução foi trazer ela para o hotel que temos aqui em Cruz Alta, o Hotel da Cuia. Hoje já faz dois anos que ela está conosco no hotel, já virou a mascote do estabelecimento”, contou.