Durante operação, Gaeco descobriu que até adolescentes comandavam o crime em MS
Com apenas 17 anos, adolescentes eram “fiscais do PCC”
18 ABR 2017 • POR Gerciane Alves e João Gabriel Vilalba • 16h36Durante coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (18) a coordenadora da operação Desdita, promotora Cristiane Mourão do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) relatou que até adolescentes eram colocadas para fiscalizar integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) em Mato Grosso do Sul.
A operação, deflagrada na manhã desta terça-feira, envolveu agentes do Gaeco e policiais do Batalhão de Choque, Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e Dintel (Diretoria de Inteligência). Mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão foram realizados em Campo Grande, Dourados, Naviraí, Brasilândia e Ponta Porã.
Mais da metade dos mandados de prisão preventiva referem-se a pessoas que estão recolhidas no sistema prisional de Mato Grosso do Sul. Mas foi no município de Naviraí que um fato chamou a atenção dos policiais. Duas adolescentes, de 17 anos, ocupavam a função de “fiscal do PCC”, onde eram responsáveis por fiscalizar o comportamento de outros integrantes da facção.
Ainda de acordo com a promotora, a operação teve início no começo do ano quando aconteceram alguns atentados nos nas unidades prisionais do Brasil o que levou a polícia a descobrir que alguns servidores do Estado estavam na mira dos traficantes.
Dez armas de grosso calibre e quatro veículos foram apreendidos, 42 contas bancárias e 94 linhas telefônicas bloqueadas e uma grande quantidade de dinheiro, cujo valor não foi informado, foi apreendido. No presídio feminino da Capital também houve apreensão de celulares e drogas.
Em 2016 o Gaeco desenvolveu trabalhos no sentido de identificar e processar membros do PCC com atuação em Mato Grosso do Sul, cujo primeiro resultado obtido foi a transferência dos principais líderes para presídios federais no início deste ano, culminando hoje com a deflagração de mais uma operação de combate à criminalidade organizada violenta.
Operação Desdita
Desdita é sinônimo de azar e faz referência a um dos alvos da operação que durante o período das investigações atribuiu ao número de mortes que já havia dado causa o azar pela desarticulação de suas ações criminosas.