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Falsa indigenista cai nas garras da PF

A mulher, que se passava por advogada, agiu em pelo menos 8 cidades de MS

14 JUN 2017 • POR Mauro Nunes • 17h37

Falsa advogada indigenista, de 45 anos, presa na operação “Raposa Kaiowá” deflagrada pela Polícia Federal (PF), responderá por estelionato e falsidade ideológica. A prisão aconteceu na manhã dessa quarta-feira (14) em Ponta Porã - a 323 km de Campo Grande. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Felipe Viana de Menezes, a criminosa agia em pelo menos oito cidades de Mato Grosso do Sul. 

Menezes revelou que a falsa advogada era investigada há um ano, e tudo começou quando o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) constatou adulteração na idade de uma beneficiária à aposentadoria. “Conforme o INSS, a pessoa que aposentou não tinha idade para receber o benefício, a partir disso começamos as investigações”, revelou o delegado. 

Viana explicou ainda que, além dessa falsificação, havia também nove boletins de ocorrência contra a estelionatária. “Ela se aproximava dos índios e dizia que era advogada, eles acreditavam. Então ela pegava os documentos dos índios para fazer os empréstimos consignados, porém o índio não via a cor do dinheiro”, explicou Viana. 

A falsa advogada também fabricava documentos de índios que já haviam falecidos e não tinham registro de óbito. Tudo isso para pegar empréstimos e burlar a previdência. 

A mulher agiu em 8 cidades de MS

“Ela começou por volta de 2012. A falsa advogada agiu em várias cidades como Bonito, Bodoquena, Aquidauana. Em 2013 a estelionatária veio para Ponta Porã, onde também continuou com o seu trabalho de estelionato”, disse o delegado. 

“Índios de Amambai, Bela Vista, Paranhos e Aral Moreira também foram vítimas da mulher. Ela está presa e vai reponder por estelionato e falsidade ideólogica, acrescentou. 

Conforme Felipe Viana, a estelionatária está presa preventivamente. A polícia não tem como dizer ao certo quantas pessoas foram vítimas, além das que fizeram a denúncia. Pois o delegado explica que muitos não denunciaram a criminosa. 

A mulher, se condenada, responderá por cada estelionato, que requer pena de 1 a 5 anos de prisão. No caso de burlar o INSS, a pena tem um acréscimo de 1/3. 

Raposa Kaiowá 

A Operação foi denominada “Raposa Kaiowá”, em alusão à característica traiçoeira e oportunista das raposas na captura de suas vítimas, a qual se assemelha à usada pela falsa advogada com indígenas. 

O nome também remete à Operação Coiote Kaiowá, deflagrada pela PF em 2015, no município de Amambai, e que tinha como alvo esquema de fraudes previdenciárias de natureza similar.