Brasil

Câmara vota quarta-feira denúncia contra Temer

A bancada federal de Mato Grosso do Sul segue dividida

29 JUL 2017 • POR Da redação • 08h11

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia disse que haverá quórum suficiente para votar, na próxima quarta-feira (2), a denúncia contra o presidente da República Michel Temer. Segundo ele, a votação na quarta-feira é a “melhor solução” para o país. A estimativa dele é que mais de 480 deputados estejam presentes na votação.

“Na minha opinião, haverá quórum. O Brasil precisa de uma definição para esse assunto. Não se pode, do meu ponto de vista, jogar com um assunto tão grave, tão sério, como uma denúncia oferecida pela PGR [Procuradoria-Geral da República] contra o presidente da República. Nosso papel é votar. Quem quiser, vota sim, quem quiser, vota não. Mas não votar é manter o país parado no momento em que o Brasil vive uma recuperação econômica, mas ainda com muitas dificuldades”, disse ele.

São necessários 342 dos 513 (deputados) para que o processo tenha continuidade. Se isso ocorrer, a denúncia vai para o Supremo Tribunal Federal, que decide então se abre ou não o processo contra Temer. Se os magistrados decidirem que sim, ele será afastado por até seis meses. Neste caso, assume a presidência Rodrigo Maia.

Maia falou com a imprensa após almoçar com o prefeito em exercício de São Paulo, Milton Leite, na sede da prefeitura, no centro da capital. “Acho muito grave que a Câmara não tome uma decisão. Que seja para aprovar ou não [a denúncia]. Isso é uma decisão de cada deputado. O que a gente não pode é deixar o paciente em centro cirúrgico, com a barriga aberta”, acrescentou o presidente da Casa. Maia disse ainda que um possível adiamento paralisaria a pauta do Congresso Nacional. "A melhor solução para o Brasil é que a denúncia seja votada na quarta", completou.

Bancada de MS

A bancada federal de Mato Grosso do Sul segue dividida e com alguns deputados indecisos, em relação a denúncia contra o presidente Michel Temer.

Os deputados Zeca do PT, Vander Loubet (PT) e Dagoberto Nogueira (PDT), que fazem parte da oposição, já confirmaram que irão votar pela aceitação da denúncia. "Já se tem elementos suficientes para que a investigação contra o presidente prossiga, por muito menos a Dilma (Rousseff) foi cassada", ressaltou Dagoberto.

Já Carlos Marun (PMDB)  defende o presidente e disse que a base está segura de que a oposição não tem os votos suficientes. "Eles não chegaram nem perto, fizemos uma nova avaliação, que aponta para a não aceitação da denúncia".

Os deputados Geraldo Resende (PSDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Tereza Cristina (PSDB) disseram que só vão apresentar sua posição na hora do voto e Elizeu Dionízio (PSDB) ainda não se posicionou, mas na votação da CCJ votou contra a denúncia.
Tentativa de convencimento

Na busca por aliados, Temer intensificou também o ritmo de reuniões com políticos e eventos públicos com anúncios de repasses de verba governamental para obras e projetos. A ideia é consolidar uma agenda positiva para o Palácio do Planalto.

Nesta terça (25), ele prometeu ajudar as escolas de samba do Rio de Janeiro, um agrado à bancada fluminense. Temer recebeu os presidentes das escolas e, logo depois, ao dar posse à Sérgio Sá Leitão no Ministério da Cultura, pediu que o novo ministro atenda as agremiações, que querem R$ 13 milhões para o desfile do grupo especial do ano que vem.

Mais tarde, em outra cerimônia, Temer fez um aceno aos estados e municípios. Ao lançar o programa de revitalização da indústria mineral brasileira, anunciou que a cobrança de royalties da mineração vai passar a ser feita sobre a receita bruta das empresas, e não mais sobre o faturamento líquido.

A medida deve aumentar a fatia de recursos distribuída para as prefeituras e governos estaduais. A estimativa do governo é arrecadar e distribuir 80% a mais.

Na tentativa de barrar a denúncia contra ele na Câmara, o presidente Michel Temer tem adotado a estratégia de ligar para deputados indecisos para convencê-los a votar a favor do governo. As ligações ocorrem no intervalo entre eventos públicos e a agenda interna do presidente.
Contagem de votos

Nas contas do governo, o número de indecisos já diminuiu. Mesmo assim, o trabalho de convencimento vai continuar nos próximos dias. O vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), disse que está prevista, ainda para esta semana, uma reunião do governo com líderes da base no Congresso para conversar sobre a votação do dia 2.

"Esse número reduziu de oitenta para sessenta indecisos. Nós vamos nos reunir na quinta ou sexta-feira com as lideranças dos partidos, com o presidente Michel Temer, com o líder do governo, com o líder do Congresso, para que a gente possa fazer uma análise mais apurada e ter certeza do número, para que a gente possa entrar no plenário no dia 2 de agosto e votar", afirmou o deputado.

A oposição também disse que está afinando a estratégia a ser adotada em plenário. A aposta dos rivais de Temer é que a pressão popular sobre os deputados - com a sessão transmitida pela TV - pode fazer parlamentares aliados do presidente mudarem de posição.

"Nós achamos que eles vão ser constrangidos numa situação em que o governo tem um alto grau de impopularidade. Portanto, nós acreditamos que muitos da base vão votar pelo afastamento de Michel Temer", afirmou o líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP).