Marcos Pontes exonera diretor do Inpe
Galvão criticou declaração de Bolsonaro, que teria feito acusações indevidas
2 AGO 2019 • POR Rauster Campitelli, com informações da Agência Brasil • 16h52Após reunião com o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, na tarde de hoje (2), em Brasília, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, decidiu exonerá-lo. O anúncio foi feito pelo próprio Galvão, em rápida declaração a jornalistas.
"Diante do fato, da maneira como eu me expressei em relação ao presidente [Bolsonaro], criou um constrangimento que é insustentável. Então, eu serei exonerado, mas ficará no meu lugar uma pessoa que já me substitui, com grande possibilidade de nós continuarmos o desenvolvimento da linha de ação", afirmou, lembrando que seu mandato é de quatro anos, mas que o Regimento Interno do órgão permite uma substituição por decisão do ministro.
"O ministro pode, é perfeitamente legal, numa situação de perda de confiança, substituir", explicou. A assessoria do ministro Marcos Pontes confirmou que a exoneração está decidida. Em seu perfil no Instagram, o ministro publicou o vídeo do pronunciamento de Ricardo Galvão a jornalistas e agradeceu pelo trabalho do auxiliar. "Agradeço pela dedicação e empenho do Ricardo Galvão à frente do Inpe. Tenho certeza [de] que sua dedicação deixa um grande legado para a instituição e para o país", disse Pontes.
No último dia 19, em entrevista a correspondentes internacionais, o presidente Jair Bolsonaro disse que a divulgação de informações sobre desmatamento feita pelo Inpe prejudica o país em negociações comerciais realizadas pelo governo brasileiro com outros países. Na ocasião, o presidente disse que os dados de desmatamento atribuídos ao seu governo não eram verdadeiros.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Galvão criticou a fala do presidente afirmando que este fez "acusações indevidas a pessoas do mais alto nível da ciência brasileira". Galvão também reafirmou a validade científica dos dados do instituto, que monitora áreas florestais desde a década de 1970.
A polêmica começou no início do mês, quando o Inpe informou que o desmatamento na Amazônia Legal brasileira atingiu 920,4 quilômetros quadrados em junho, um aumento de 88% em comparação com o mesmo período do ano passado. Ontem (1º), em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, exibiu imagens de satélite para demonstrar que pelo menos 31% do total do desmatamento apurado em junho ocorreu em anos anteriores, principalmente em 2017 e 2018, mas só foram computados depois.