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WhatsApp confirma envio em massa de mensagens nas eleições de 2018

Serviço de mensagem afirma ter banido "centenas de milhares de contas"

8 OUT 2019 • POR Sarah Chaves, com informações do G1 • 18h12
Sarah Chaves

Gerente de políticas públicas e eleições globais falou sobre o caso em evento na Colômbia. No ano passado, serviço de mensagens já tinha anunciado banimento de 'centenas de milhares de contas' por esse comportamento.

O gerente de políticas públicas e eleições globais do WhatsApp, Ben Supple, confirmou na última sexta-feira (4), durante palestra na Colômbia que o aplicativo sabe que, nas eleições de 2018 no Brasil, empresas enviaram mensagens em grandes quantidades a grupos, violando as regras do serviço para chegar a públicos maiores.

Segundo Supple, que falou durante evento sobre jornalismo da Fundação Gabo, em Medellín, o WhatsApp está ciente dessas ameaças.

Supple ainda afirmou que o WhatsApp está investigando grupos grandes, que podem ser acessados por links públicos. O executivo disse que a empresa recebeu muitas informações de grupos da sociedade civil e de investigadores brasileiros de que esses grupos públicos eram usados para disseminar conteúdo e mensagens no WhatsApp.

O serviço de mensagens enviou ao G1 uma nota, afirmando que "antes do segundo turno da eleição do ano passado, o WhatsApp anunciou que já tinha banido centenas de milhares de contas por tentativa de envio em massa ou automatizado de conteúdo durante o período eleitoral".

Entre os números bloqueados estavam contas usadas pelas agências Quickmobile, Yacows, Croc services e SMS Market. Estas quatro agências foram citadas em reportagem do jornal "Folha de S.Paulo", que afirmou que elas foram contratadas por apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL) para supostamente disparar pacotes de mensagens contra o PT.

Lei eleitoral

A prática de envio em massa de mensagens eleitorais, em tese, pode ser ilegal, caso seja considerada pela Justiça doação de campanha feita por empresas. Desde 2015, empresas estão proibidas de fazer doação eleitoral.

O uso de bases de terceiros também pode ser considerado ilegal, já que a lei permite apenas o uso de listas de apoiadores do próprio candidato (nos casos de números cedidos de forma voluntária).

Violação dos termos do aplicativo

Supple afirmou que é permitido o uso do aplicativo em campanhas políticas, contanto que seja de maneira responsável, dentro dos termos de uso da plataforma.

Ele afirmou que as regras da plataforma proíbem explicitamente o envio automatizado de mensagens e que algumas pessoas e grupos contratam terceiros e softwares para alcançar mais pessoas e aumentar a disseminação de conteúdo.

"Nós também notificamos empresas que diziam oferecer serviços de envio em massa de mensagens, uma violação dos nossos termos de serviço. Estamos sempre trabalhando para aperfeiçoar nossos sistemas para prevenir abusos no WhatsApp", concluiu a empresa na nota divulgada nesta terça-feira (8).