Polícia

"Não aguentava mais fugir", diz guarda assassino ao se entregar

Em seu depoimento Valtenir conta que se descontrolou ao atirar na ex-namorada, e após o crime fugiu e ficou perambulando pela cidade

6 MAR 2020 • POR Priscilla Porangaba e Sarah Chaves • 14h15
Valério Azambuja, secretário Municipal de Segurança, delegada Fernanda Félix, e delegada Sueyli Araújo - JD1 Notícias

O guarda municipal Valtenir Pereira da Silva, 35 anos, que matou a ex-namorada e o amigo dela, e também feriu uma jovem com um tiro, preso na manhã desta sexta-feira (6), em Campo Grande já prestou depoimento na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), após se entregar a Guarda Civil Metropolitana.

De acordo com o secretário Especial de Segurança e Defesa Social, Valério Azambuja, Valtenir entrou em contato com a Guarda por volta das 20h de ontem, através de seu advogado Wagner Batista de Souza para a tratativa de entrega, que ocorreu por volta das 8h da manhã de hoje na base da Guarda Municipal no Aero Rancho.

O advogado de defesa de Valtenir conta que ele iria se entregar à guarnição da Guarda, para que fosse apresentado para a polícia, pois para seu cliente não havia mais condições de ficar perambulando pela cidade, tomando banho em super mercado 24h. “Fui recepta-lo no estacionamento do Hospital Rosa Pedrossian, e em uma questão de respeito e hierarquia, fui intrega-lo onde ele é vinculado, que é a Guarda Municipal, como dever de ofício do advogado", falou Wagner Batista de Souza.

Ainda segundo Wagner, autor esperou cinco dias para se entregar por medo, e fez isso na data de hoje pela filha. “Ele tem uma filha com problemas de saúde e precisava receber o salário do mês que caiu na conta ontem, e agora ele fez transferência para mãe da criança e após a transferência ele se entregou’, alegou.

Ao se entregar o advogado do guarda conta que Valtenir “não aguentava mais fugir da polícia e dormir embaixo de pontes e em estacionamentos”, e que a mensagem que ele publicou no Whatsap com intenção de tirar a própria vida era verdadeira. “Ele estava intencionado a se matar", declarou.

Valério Azambuja falou na coletiva que o registro de ocorrência de ameaça e medida protetiva que Maxelline tinha contra Valtenir, no dia 16 de fevereiro, foi informado no centro de comendo da Guarda, e no dia 17 a guarnição localizou e falou com a vítima, porém não localizou Valtenir. De acordo com Valério, a Polícia Militar levou a vítima para a Delegacia da Mulher para registrar a ocorrência e que foi informado que não precisava mais do apoio da Guarda, no local.

“Abri um procedimento interno e administrativo sobre essa ocorrência e vou encaminhar para a delegacia da mulher que o atendimento foi dado no primeiro momento quando ouve o acionamento no 153", conta Valério se referindo a suposta ameaça que o agente fez a ex-namorada.

Versão de Valtenir sobre o crime

Segundo informações da delegada Sueyli Araújo, presidente dos autos, em seu depoimento, Valtenir Pereira, contou que o registro de ameaça feito por Maxelline foi porque no dia supracitado houve um mal entendido, quando ele teria tirado a arma da cintura para entrar pelo telhado da casa, já que estava sem a chave.  Ao ver a arma, o suspeito alega que a ex-mulher saiu correndo com medo, e essa teria sido a causa do registro da ocorrência.

De acordo com a delegada da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Fernanda Félix, Valtenir foi notificado pessoal e diretamente pelo oficial de justiça, sobre as medidas protetivas, porém foi atrás de Maxelline mesmo assim.

Segundo a versão do acusado, após o boletim de ocorrência registrado contra ele, Maxelline e ele estavam se encontrando as escondidas, por medo da represália da família da namorada,  e no sábado, dia do crime, eles teriam passado o dia juntos, porém a vítima flagrou uma mensagem da ex do agente municipal no celular dele e por ciúmes eles começaram a brigar.

Valtenir conta ainda em depoimento, que  Maxelline foi embora após almoçarem juntos e ele foi trabalhar chateado e ao sair do trabalho foi até a casa de Camila Telis Bispo, onde sabia que a namorada estava para conversar com ela, e que não tinha intenção de matar. Eles conversaram por cerca de 40 minutos, e quando ele a chamou para ir embora, Camila não deixava pois era contra o namoro e não sabia da reaproximação do casal após a ocorrência de ameaça.

Durante a conversa na casa dos amigos de Maxelline, Camila ficou preocupada ia a todo momento pra ver se a amiga estava bem, quando os dois estavam discutindo Camila puxou a Maxelline pelo braço para entrar e Valtenir entrou no meio para impedir e nesse momento o Steferson de Souza interveio e tentou separar.

Com medo de que Steferson pegasse sua arma Valtenir pediu que o outro se afastasse, e quando não foi atendido efetuou o primeiro disparo que atingiu o peito de Steferson, e segundo o autor “Ai  ele perdeu realmente o controle", atirou contra Camila e depois contra a cabeça da Maxelline.

Após o crime ele fugiu e arma ele enterrou em um terreno baldio no bairro Aero Rancho.

Segundo a delegada Sueyli, os depoimetos da vítima Camila e Valtenir divergem sobre a dinâmica dos fatos, mas Camila diz que não consegue delimitar os fatos por estar muito nervosa, e tem pontos confusos, sendo que um depoimento vai  completar a lacuna do outro.

O acusado afirma que teria ficado dormindo no carro e passando os cinco dias revezando em estacionamentos da capital. O carro da ex-mulher foi deixado estacionado pelo acusado no pátio da guarda no Aero Rancho. Ele nega que tinha ficado na casa de parentes e que os pertences dele estavam na casa no Aero Rancho pois ele ficou uns dias na casa com o pai após a separação de Maxelline.

Após se entregar ele será levado hoje mesmo ao Centro de Triagem (CT) e pode pegar até 50 anos de prisão pelo feminícidio, tentativa de homicídio e homicídio.