Religiosos xingam médico que faria aborto em criança de 10 anos que foi estuprada
Imagens mostram católicos fervorosos na porta do hospital gritando “assassino” e ofendem médico
16 AGO 2020 • POR Marcos Tenório • 19h38Um caso que ganhou muita repercussão nas redessociais deste domingo (16), a recusa do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, no Espírito Santo em realizar o procedimento de aborto da menina de 10 anos que foi estuprada pelo tio. Um vídeo que circula nas redes sociais, mostra católicos em frente ao hospital chamando o médico de assassino.
Vídeo mostra várias pessoas de braços dados, fazendo uma corrente em frente ao hospital, e alguns mais exaltados começam a desferir palavras ofenciva, como "assassino".
O hospital de referência de Vitória, no Espírito Santo, alegou questões técnicas para não fazer o procedimento, justificando que a idade gestacional estava avançada e, portanto, não era amparada pela legislação, apesar do aval do juiz do caso.
Com apoio da Promotoria da Infância e da Juventude de São Mateus e da Secretaria Estadual de Saúde, ela foi transferida para outro estado, em companhia da avó, onde interromperá a gravidez em um centro médico de referência.
O destino foi mantido em sigilo pelas autoridades. De acordo com a lei, ela tem direito de realizar o aborto legal por ter sido vítima de violência sexual e pelo risco de morte materna. A menina, que já enfrenta graves problemas para lidar com o trauma, revelou para as autoridades que investigam o caso que era ameaçada pelo tio, um homem de 33 anos de idade, desde os seus 6 anos. Ela nunca teria denunciado por medo de represálias.
Brasil
O aborto é proibido no Brasil, com exceção quando hárisco de morte para a mãe causado pela gravidez, quando foi fruto de um estupro ou se o feto for anencéfalo. Nesses três casos, permite-se à mulher optar por fazer ou não o aborto. Caso decida por fazer, deve-se realizar o procedimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
*Informações site Exame.