Polícia

Aparece outra vítima de policial que espancou mulher algemada

Vítima diz que foi agredido por tenente da PM, e ainda teve sua caminhonete cravejada de balas

24 NOV 2020 • POR Marcos Tenório, com informações do Correio do Estado • 10h23
Laudo mostra os disparos dos policiais contra a caminhonete - Correio do Estado

O 2º tenente André Luiz Leonel investigado por agressão e abuso de autoridade por ter espancado uma turista em Bonito no fim de setembro dentro do quartel da Polícia Militar, tem um histórico de investigações por reações desproporcionais durante abordagens. Após o vídeo viralizar e ser repercutido no brasil inteiro, mais uma vítima apareceu.

Conforme o site Correio do Estado, o professor de Educação Física Eurípedes Luiz da Silva Filho, o Pinho, teve a vida virada de cabeça para baixo após uma briga conjugal, onde ele havia se apoderado do telefone celular da esposa. “Quem bate esquece, mas quem apanha não”, disse o professor.

Ele conta ao site, que as agressões começaram quando ele tentou devolver o aparelho celular, ele relatou que não estava armado mas foi recebido a tiros pelos policiais que estavam sendo chefiados por Leonel. “Baixei o vidro do lado do passageiro e estiquei o braço para devolver o celular [da minha esposa]. Quando olhei do lado esquerdo, este policial, o Leonel, engatilhou uma pistola na minha cabeça”, afirma.  

No hora dos fatos, Eurípedes ficou assustado e ligou a caminhonete S-10, foi quando os policiais efetuaram mais disparos, que acertaram dois pneus e toda a lateral da picape, foi cravejada de balas. 

Eurípedes teve que responder um processo por tentativa de homicídio, movimento pelo Ministério Público, em que o policial militar Ramão Benedito Soares, que fazia parte a equipe de Leonel, na ocasião, é a vítima. A tentativa descrita seria no momento em que ele teria investido sua caminhonete contra e equipe de policiais.

No seu depoimento, Eurípedes fala que Leonel queria que a mulher fizesse um B.O de violência doméstica. “Não teve violência doméstica, o Leonel pressionou, queria obrigá-la a fazer um boletim de ocorrência (...) e ela disse ‘como assim? Ele não me agrediu. Sempre foi um bom pai. Ele só pegou meu celular’”, conta o professor de Educação Física.

Ele conta ainda que, depois de arrancar para tentar fugir dos policiais, ele foi cercado por duas viaturas. “O policial Ramão, ao descer do carro com um fuzil atravessado no pescoço, ele escorregou, caiu e bateu o joelho no asfalto ao descer da viatura. Gritaram para mim, deram ordem de prisão. Eu levantei os braços para cima, e foi desferido um tiro com bala de borracha na minha barriga – eu já havia me entregado. Me algemaram, me jogaram no chão, pisaram no meu pescoço, pisaram na minha cabeça, chutaram minha costela no chão, eu com a cara no chão”, relata ao Correio do Estado.

Tudo que aconteceu, resultou em uma investigação na Corregedoria da Polícia Militar, e conforme relatório assinado pelo capitão Francisco Solano Espíndola, não foi encontrado qualquer crime militar na conduta de Leonel e sua equipe.  

“Na delegacia, ele [Leonel] colocou a mão no bolso, retirou 3 gramas de cocaína e disse que elas estavam comigo”, afirma Eurípedes. Eurípedes negou que portasse qualquer droga e diz que nunca fez uso algum de entorpecentes. Apresentou, inclusive, exames toxicológicos com resultado negativo. 

Ele ainda disse que, durante audiência no Judiciário, cada um dos policiais ouvidos informou que a droga apresentada por Leonel, somente na delegacia estava em um lugar diferente do carro.