Brasil

Covid: 130 mil crianças perderam um dos responsáveis no Brasil, diz estudo

Dados são resultado de estudo publicado na revista científica "The Lancet"

21 JUL 2021 • POR Gabrielly Gonzalez, com EFE • 12h54
1,5 milhão de crianças no mundo perderam a mãe, o pai, um avô ou avó ou um responsável - ARSHAD ARBAB/EFE/EPA

Os cuidados com a pandemia, atualmente, estão voltados para o controle da transmissão, distribuição de vacinas e prevenção da doença. Mas, os efeitos secundários do surto mundial também são extremamente importantes. As mortes por covid-19 deixaram 130.363 crianças brasileiras sem a mãe, o pai, um avô ou avó ou um responsável. No mundo, esse número chega a mais de 1,5 milhões de pessoas.

Os dados são resultado de um estudo publicado pela revista científica "The Lancet", que analisou informações de 21 países, de março de 2020 até abril de 2021. Os pesquisadores incluíram Brasil, Argentina, Colômbia, França, Alemanha, Quênia, Malawi, África do Sul, Espanha e EUA, que foram responsáveis por quase 77% das mortes por covid-19 no mundo inteiro, para extrapolar uma estimativa global mínima.

Cientistas observam que 1,13 milhão de crianças perderam um dos pais ou um avô responsável devido a uma morte associada à covid-19. Destes, 1 milhão era órfão da mãe, do pai ou de ambos. Sendo que a maioria perdeu um dos pais e não ambos.

No total, 1,56 milhão de pessoas sofreram a morte de pelo menos um dos pais, avô de guarda, avô coabitante ou outro parente idoso que vivia com eles. A perde dos avós, que em muitos casos são o sustento da família ou a garantia de que os pais possam trabalhar, já que eles cuidam dos netos, é um fator de preocupação para os pesquisadores.

Mortes associadas à covid-19 foram, em todos os países, mais elevadas entre os homens do que entre as mulheres, especialmente nas faixas etárias médias e mais velhas. No total, houve cinco vezes mais perdas de pais do que de mães.

Pesquisadores se referem a mortes associadas à doença, ou seja, a combinação das causadas diretamente pela covid e aquelas devidas a fatores como confinamento, restrições de reuniões e movimento, diminuição do acesso ou aceitação de cuidados de saúde e tratamento de enfermidades crônicas.

No entanto, a maioria das crianças enlutadas não fica sem adultos para cuidar delas. Alguns permanecem com pais solteiros; outros podem entrar em parentesco, adoção ou cuidado adotivo.