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Entrevista

Economia e produção em meio a pandemia

Entrevista com o secretário da Semagro, Jaime Verruck

18 abril 2020 - 12h57Joilson Francelino

O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, é o entrevistado da semana, do JD1 Notícias.

O chefe da Semagro fala sobre os desafios econômicos que Mato Grosso do Sul enfrenta em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Antes de responder os questionamentos da nossa reportagem, Verruck reforça que estamos em um momento de enfretamento de que ele classifica como “crise brutal na área da saúde”. “Não dá para fazer nenhuma análise, hoje, econômica do impacto para as micro e pequenas empresas, finanças dos estados e quais as medidas a serem tomadas, sem considerar a questão da pandemia do coronavírus”, iniciou.

JD1 Notícias - É possível manter o Estado como atrativo para investimentos em meio à crise?

Jaime Verruck - Todo mundo sabe que as economias, brasileira e a sul-mato-grossense, começavam a dar alguns sinais extremamente positivos em termos de investimentos, empregos e evolução, e isso agora foi totalmente interrompido. Esse primeiro momento é importante ressaltar que o foco realmente é a saúde e toda a logística e todos os esforços do país está voltado para a questão da saúde. Nós obviamente, do Poder Público, que estamos conduzindo o processo do momento econômico, não temos como não falar de como vamos enfrentar e a lógica é muito parecida da que estamos fazendo na saúde. Se não tem respirador, não tem crédito para o micro e pequeno empresário. Se existe o problema de doença, temos o problema de desemprego.

Todos os projetos que estavam em fase de discussão estão em stand by. Entramos em contato com as empresas e a resposta sempre é a mesma: temos a intenção, mas não é momento de voltar a discutir investimentos. Isso é uma situação preocupando e, neste momento, existe uma paralização no Brasil na questão dos investimentos que depende de cenário de futuro e a gente está com certa incapacidade, e isso é muito ruim, de olhar para o futuro. Acho que estamos olhando muito na semana que vem, em curto prazo, mas temos que começar a pensar que a pandemia gera um medo de ação. Na verdade o que todo mundo precisa hoje é da ação e não o medo da ação. Acho que esse é um ponto fundamental. Temos que levantar um pouco a cabeça e olhar nos próximos meses a maneira de como vamos reagir e sair desse processo econômico.

JD1 Notícias – Com a pandemia, perdemos empresas e indústrias que vinham para o MS?

Jaime Verruck – Não perdemos, o que houve foi uma alteração de cronograma. Por exemplo, uma indústria que iniciaria as obras em novembro, já adiantou que não iniciaria a atividade este ano, vou reavaliar o cenário. Então, tudo está na reavaliação de cenário, agora, o impacto obviamente já tem sido imediato. Hoje temos em determinadas atividades uma redução de 40% no faturamento. Isso mostra essa certa paralisia do sistema econômico que não está muito vinculada a questão de isolamento. As pessoas vinculam muito, quando discutimos muito a necessidade de isolamento, com a atividade econômica, na verdade não está tendo demanda, as pessoas não se movimentam logicamente não consomem. Essa grande preocupação hoje no Estado é a questão do desemprego, o que cria um desalento e um problema de alimentação e fome e é onde tentamos um conjunto de ações econômicas para procurar não demitir. Estamos fazendo o estudo social, onde existe uma série de medidas, entre elas a MP Verde Amarela, Tudo isso é fundamental para poder manter a economia rodando. O risco neste momento seria uma moratória. Uma grande preocupação que temos é: um não paga o aluguel, o outro não paga a conta, o outro não paga o imposto. Se isso acontecer na economia, aí sim, com certeza teremos um efeito muito maior do que o próprio coronavírus, na estrutura e na desorganização social e econômica do Mato Grosso do Sul.

JD1 Notícias – Que espécie de socorro será possível para o setor produtivo em MS?

Jaime Verruck – O setor produtivo teve algumas medidas que são nacionais. A primeira que classifico como fundamental é a que, através do verde amarelo, possibilita que as empresas suspenda o contrato, reduza a jornada, paga 30% do salário, 70% na linha do seguro desemprego. Agora, muitas empresas estão optando por demitir pois quem adotar essa medida, tem que garantir o emprego por quatro meses. Tem determinadas cadeias produtivas que não seriam necessárias essas demissões. Os outros que são informais, MEIs e pessoas em vulnerabilidade social tem a medida dos R$ 600.  O governo do Estado, nessa linha, adotou uma série de medidas. O pagamento de contas de água. A proibição de cortes de energia elétrica. O Governo do Estado publicou o decreto para tirar o ICM. Tudo isso é renda disponível na ponta. A conta da energia elétrica, por exemplo, é de R$ 16 milhões por mês, são R$ 4 milhões de impostos que não estão vindo para o governo. Na questão das empresas, estamos trabalhando em linhas de crédito para capital de giro, e estamos abrindo uma linha de R$ 230 milhões para pagar folha de pagamento e fornecedores dessas empresas. Estamos tentando atender rapidamente e os empresários precisam pagar as contas mensalmente. Vale destacar a postergação o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) foram prorrogados para próximo ano, são mais de R$ 15 milhões que ficam nas mãos do empresários e não entram no governo. Existe disponibilidade de crédito, mas a forma de analise dos bancos demora, por ter aumentado o risco das empresas com aumento no pedido de garantias. Vai ser aprovando um fundo garantidor para levar o pequeno crédito ao pequeno empresário, porque ser se avaliar a capacidade de pagamento, ele não existe, o pequeno empresário está operando com delivery, tendo faturamento mais baixo, vamos ter que mudar a lógica. O Governo Federal e tem feito muito, e com agilidade. Temos emergência nos gastos com a saúde.

JD1 Notícias – O setor industrial de MS teve um bom desempenho ano passado, qual o número é possível desenhar hoje?

Jaime Verruck - Estamos acompanhando todos os setores, e no industrial, na cadeia da carne e da celulose, por exemplo, que são exportadoras, os impactos são diluídos e podem puxar um processo de retomada econômica. Preocupa-nos a cadeia do bicombustível devido à redução no consumo de etanol na bomba, de até 70%, então temos uma safra entrando e mais de 25 mil empregos ligados a esta cadeia e estamos desenhando algumas possibilidades de financiamentos, de créditos, para manter estas atividades.

Algumas cadeias produtivas, como a soja, estão fluindo e conseguem manter as atividades. Mas, quando se lida com setor industrial no consumo, na compra e no varejo, o setor já sente com demissões e suspendendo contratos. A preocupação maior é na queda do PBI, mas quero ser otimista, porque não temos problemas estruturais na economia, e sim na saúde, devemos focar na questão da saúde para reduzir e teremos uma retomada da economia mais rápida. MS precisa depende de uma excelente relação com a China e retomar nossas atividades. Com uma retomada mais lenta para as empresas menores, e não sabemos de um time.

JD1 Notícias – Como o senhor vê a questão do emprego neste ano após esses acontecimentos pós e durante pandemia?

Jaime Verruck - Estamos trabalhando para que os empresários não demitam, mas cada empresário faz a decisão, alguns não entram no verde amarelo e outras não demitiram, mas a situação é grave e nem o CAGED mostrou o impacto formal. O desemprego é o grande drama. Quem demitiu 100, não vai contratar 100 em agosto, ele vai contratar gradualmente até que retorne a atividade financeira. Na Funtrab a fila é de desemprego, de seguro desemprego, o desemprego já estava elevado antes da pandemia, e MS era o maior gerador de emprego. Então isso permite uma retomada, mas é necessário reativar a economia de consumo. A política econômica nacional nos próximos meses será voltada para a reativação e conseguimos manter a questão do emprego, que sofre o impacto.
 
JD1 Notícias – É possível ter algum otimismo para 2020?

Jaime Verruck- Otimismo não, não vejo isso, os cenários são todos de quebra, como no PIB. Em termos de atividade econômica vamos ter que fazer um enfrentamento setorial e todo o trabalho do segundo semestre é para recuperação das empresas pensando em 2021. Não temos em curto prazo otimismo no ponto de vista da economia. Exige muito trabalho, se não fizermos nada, o ano vai ser muito pior. Não temos fator estrutural que impeça uma recuperação. Devemos focar neste período, no isolamento para não chegarmos nos limites estabelecidos e previstos em termos nacionais na questão da pandemia.

Cada ação feita por todo mundo gera um benefício e salva uma vida que você nem sabe. A primeira demanda que tivemos na Secretaria da Saúde foi a falta de álcool 70% e em uma semana articulamos com todo o setor sucroenergético e nos doaram 200 mil litros de álcool e hoje temos mais de 50 mil litros estocados e já distribuídos. Nós fizemos outra ação com o SENAI sobre os respiradores e todos os que estavam estragados no MS e colocamos no SENAI 70, um consertado vai somar uma vida. Tecidos para máscaras estão sendo fornecidas, carnes, tudo, criamos uma rede de responsabilidade para atender emergencialmente estes setores até o reajuste do mercado financeiro.

O setor está trabalhando, iniciamos também no inicio do caos, protocolos de biossegurança e vamos conseguir trabalhar, é muito importante, os protocolos permitirão alongar essa curva de contaminação do coronavírus.

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