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Entrevista

MS busca bons negócios com a China

O secretário de Governo de MS, Eduardo Riedel explicou porque o mercado chinês é importante para os produtores brasileiros

30 novembro 2019 - 07h30Mauro Silva

O jornal Economic Observer deu destaque especial para as relações comerciais entre Brasil e China. Nesta semana, a publicação sino-americana exibiu uma entrevista com o secretário de Governo de MS, Eduardo Riedel, e o crescente interesse desse país asiático no agronegócio e turismo regional, além do fortalecimento das relações econômicas entre ambos.

Riedel explicou a respeito do processo de modernização pelo qual o Estado vem passando e porque o mercado chinês é importante para os produtores brasileiros

Qual é a conexão entre as economias do Brasil e da China?

Eduardo Riedel – Eu acho que é um casamento perfeito, do ponto de vista econômico. A população da China é de quase 1,5 bilhão, dos quais 750 milhões não vivem em cidades, mas que em parte migram para aumentar sua renda. Essas pessoas vão exigir uma demanda de alimentos. As duas economias são muito complementares: nosso setor agrícola é altamente eficiente, assim como a produção de insumos e a industrialização das cadeias produtivas. Esse é o tipo de coisa que a China exige e nós crescemos muito por causa dessa demanda. Incorporamos com competência a tecnologia adequada e desenvolvemos um modelo econômico vencedor com baixo impacto ambiental. Quanto à infraestrutura, a China é um participante importante, se não o mais importante. Tenho visto o interesse de empresários chineses e outros líderes, mas existe a questão prática de poder transpor nossas barreiras naturais.

A China tem feito isso com bastante sucesso na África, onde leva seu conhecimento e seus trabalhadores. Por que isso não pode acontecer no Brasil?

Eduardo Riedel – Aqui temos fortes leis ambientais, trabalhistas e tributárias. O primeiro problema que o Grupo BBCA, uma empresa chinesa de alta tecnologia, encontrou foi quando tentou trazer 50 trabalhadores da China, mas não conseguiu. Com base no pouco que sei sobre o povo chinês, sei que eles são muito pacientes e tolerantes, e acho que estão aprendendo a lidar com o Brasil. Eu acho que tudo isso faz parte do processo de reunir duas culturas muito diferentes. O problema é que nosso ambiente de negócios não é tão competitivo para investimentos. Isso faz parte do que precisamos fazer aqui para tornar o clima de negócios mais amigável.

Onde os investimentos chineses podem ser mais bem-sucedidos?

Eduardo Riedel – Há um grande potencial nas empresas que processam insumos agrícolas. Poderíamos falar do processamento de etanol a partir do milho e também há o investimento do BBCA em uma linha de processamento de ácido milho/ácido lático/ácido polilático, um bioplástico feito de milho. Eventualmente, acredito que também poderia haver capital chinês na indústria de carnes (bovina e suína).

Os diplomatas estão promovendo o agronegócio brasileiro na China, e o feedback deles é que as pessoas ainda sabem muito pouco sobre o Brasil. O que pode estar falhando na comunicação com a China?

Eduardo Riedel – Acho que devemos ter uma postura mais agressiva, tanto no público quanto no privado. Acho que algumas empresas conseguiram vender seus produtos, mas não foram lá para vendê-los. Tem sido um processo muito passivo: alguém bateu à sua porta. Ainda não estabelecemos uma estratégia de vendas mais estruturada. Acho que nosso relacionamento com a China é relativamente novo, mas está avançando.

Existe alguma preocupação em estender ainda mais a parceria com a China?

Eduardo Riedel – Não. Eu costumava ter essa preocupação, mas o MS diversificou sua economia e isso ocorreu, em parte, por causa da demanda chinesa. Por exemplo, a cadeia de produção de papel e celulose se desenvolveu enormemente em Três Lagoas, lar de duas das maiores fábricas de celulose do mundo e agora é a cidade da celulose no Brasil. E um terceiro moinho está a caminho. Para onde vai toda essa celulose? Uma grande porcentagem vai para a China. Portanto, existe um nível de dependência, mas sem a demanda deles não teríamos tido os investimentos, em primeiro lugar. A demanda chinesa permitiu nosso desenvolvimento e crescimento e somos competitivos e capazes o suficiente para estruturar isso.

Uma nova geração de jovens agricultores está usando novas tecnologias criadas especialmente para a agricultura. Como a inovação pode ajudar no desenvolvimento do Mato Grosso do Sul?

Eduardo Riedel – A tecnologia terá um impacto fenomenal no setor agrícola, como em todos os outros setores. Todas essas ideias  estão sendo aplicadas ao setor agrícola em maior ou menor grau. No Brasil, esses sistemas são altamente heterogêneos em tamanho, insumo, modernização e renda. Embora muitos produtores não pareçam ter renda suficiente para absorver tecnologias disruptivas, no entanto, a mudança está acontecendo. Vemos exemplos disso o tempo todo nas diferentes cadeias de produção. Há dez anos, não havia eletricidade nas fazendas, mas hoje essas propriedades têm as tecnologias mais modernas e atualizadas que estão tirando os agricultores do mundo das dúvidas. E isso torna tudo muito mais fácil.

Nos próximos anos, o Brasil terá uma demanda crescente por energia. Como Mato Grosso do Sul lidará com isso?

Eduardo Riedel – Eu acho que a energia solar é uma das possíveis soluções para o desenvolvimento de energia. Já é uma realidade em nosso Estado, onde as condições para a energia solar são ótimas. Também é muito interessante, do ponto de vista do retorno do investimento. Tenho certeza de que haverá muitas pequenas usinas solares nas fazendas para alimentar seu consumo de energia. São principalmente pequenas unidades que produzem energia suficiente para esse negócio específico.

Como MS é diferente dos outros Estados?

Eduardo Riedel – Nosso Estado possui abundantes recursos naturais e sistemas de produção muito modernos e sustentáveis. Do ponto de vista tecnológico, somos capazes de produzir e manter esses recursos naturais. Campo Grande é a porta de entrada para a região do Pantanal e Bonito. Há também o potencial no agroturismo e algumas fazendas já se especializam nisso.

É um pouco como as diferentes culturas que podemos encontrar no Corredor Bioceânico?

Eduardo Riedel – Sim. Por “67” ser o código de área de MS lançaremos a Rota 67, que é a rodovia bioceânica, começando em Campo Grande. De lá, dá para dirigir para Porto Murtinho, atravessar a ponte para o Paraguai, depois Argentina e subir os Andes. Esta é uma rota que nos levará a diferentes culturas.

O que o futuro reserva para MS?

Eduardo Riedel – Eu sou muito otimista. Passamos pela crise econômica mais importante da história brasileira durante o primeiro mandato do governador Reinaldo e conseguimos sobreviver. Atualmente, o agronegócio é o grande impulsionador da economia brasileira e nos destacamos nesse setor. Talvez um dos nossos maiores problemas é a baixa densidade populacional, que influencia no consumo interno. Isso significa que precisamos atrair mais pessoas para cá, pois continuamos exportando produtos, turismo e serviços.

Se as pessoas quiserem vir trabalhar aqui, serão bem-vindas?

Eduardo Riedel – Sim. Somos 2,7 milhões de pessoas vivendo no Estado, pouco mais de 1% da população brasileira. Nosso Índice de Desenvolvimento Humano é bom e desfrutamos de muito boa qualidade de vida, ar puro, boas condições de trabalho, serviços e muito mais. Fizemos a lição de casa e a economia está voltando à vida agora.

Para quais tipos de projeto MS está buscando investimento?

Eduardo Riedel – Temos muitos projetos em andamento com investidores privados, que ajudarão o Estado a se desenvolver ainda mais. Também temos um importante pacote de desenvolvimento de infraestrutura, e é aí que entra a estratégia de atrair capital privado. Nossa empresa de saneamento começará no próximo ano, por meio de um contrato de parceria público-privada (PPP), que representa R$ 1 bilhão em investimentos. Ainda não há rodovias com pedágio, mas isso mudará em breve, com nossa primeira concessão de rodovia. Esta é uma oportunidade para os investidores. O objetivo da administração é criar as condições para que o setor privado floresça.

 

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