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Entrevista

“Temos que ficar atentos aos bairros”

A fala é do diretor-presidente da Agência Municipal de Trânsito, Janine de Lima Bruno em entrevista ao JD1 Notícias

08 fevereiro 2020 - 09h40Mauro Silva

O diretor-presidente da Agência Municipal de Trânsito, Janine de Lima Bruno,esteve no JD1 Notícias e falou sobre assuntos de interesse da população campo-grandense, principalmente daqueles que dependem do trânsito.

Em entrevista, Janine discorre sobre multas eletrônicas, papel fiscalizador da Agetran em relação ao Consórcio Guaicurus e a instalação de novos semáforos.

1 Notícias – As multas eletrônicas não têm mais um aspecto arrecadatório do que educativo?

Janine de Lima Bruno – É impossível fiscalizar uma cidade sem os equipamentos eletrônicos, hoje em dia eles são vitais para o trânsito. Nós já tivemos um exemplo bem claro a respeito disso, pois em 2017 os equipamentos foram retirados devido ao fim do contrato, uma licitação nova foi aberta para a compra dos mesmos, porém isso se arrastou por um ano e quatro meses. Nesse período, ficamos o ano de 2017 e alguns meses de 2018 sem fiscalização eletrônica e os números registravam cerca de 132 mortes por ano desde 2011, fomos diminuindo a estatística com muito trabalho. Com isso, atingimos um recorde, em 2017, que foi de 70 mortes no trânsito, mesmo sem os equipamentos eletrônicos, pois a empresa que era responsável por eles não os tirou e os condutores de veículos preferiam diminuir a velocidade e não arriscavam. Já em 2018 a empresa retirou os equipamentos e os acidentes aumentaram em 25%, o que elevou o número de mortos para 87. Isso demonstra a importância da fiscalização eletrônica em Campo Grande.

JD1 Notícias – O papel fiscalizador da Agetran, em relação ao Consórcio Guaicurus, já foi questionado. Qual a sua postura sobre a questão?

Janine de Lima Bruno – Existem dois órgãos fiscalizadores do contrato do Consórcio Guaicurus: a Agetran, que cuida de toda a parte operacional, como os itinerários, os horários, se o ônibus passou ou não em sua rota, que tipo de veículo que está na linha e a parte contratual fica a cargo da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande (Agereg), que determina o valor da tarifa, o tempo de uso dos veículos, pesquisa de origem e destino, ou seja, são dois órgãos cuidando de coisas distintas. Isso sempre foi questionado, muitos se perguntam se o consórcio pode ser multado ou não, porém, a legislação sobre o transporte coletivo é muito antiga, da décade de 90, além de ser falha e muita coisa já mudou e avançou. O prefeito Marquinhos Trad já encaminhou uma nova legislação para a Câmara dos Vereadores, para que isso seja mudado. Atualmente, temos um centro de controle operacional que revela em tempo real quais ônibus que estão na rua, a velocidade em que estão operando; temos todo um controle que não havia nos anos 90. Hoje, os ônibus têm GPS, pelo aplicativo o usuário consegue saber como funciona a rota de cada linha, o tempo que demora uma viagem, tudo isso ajuda na fiscalização da Agetran. 

JD1 Notícias – Alguns semáforos tem sido substituídos, qual a amplitude e a necessidade disso? Por exemplo, como se determina que um novo semáforo é mais importante do que substituir um velho em algum ponto da cidade? Como é mensurado?

Janine de Lima Bruno – Em 2012, o prefeito da época conseguiu um recurso para realizar a modernização semafórica, porque o sistema é muito antigo. Temos equipamentos que têm 30, 40 anos; é um tubo galvanizado e fica exposto ao sol e chuva, o que faz enferrujar e ainda tem o risco de cair, por isso a necessidade de trocar. Por exemplo, no asfalto de Campo Grande há locais com muitos buracos, porque ele não passou por uma manutenção correta, o que deveria ser feito a cada oito anos, pelo menos. E por causa do recurso federal conseguimos trocar uma série de equipamentos em situação crítica. Quando assumimos a administração de Campo Grande, em 2017, ficamos com medo do nosso parque semafórico, pois tinha equipamentos caindo aos pedaços. Alguns semáforos tinham lâmpadas incandescentes, que hoje em dia nem se usa mais, trocamos todas por LED, que é mais econômica e demora muito para queimar, trocamos colunas enferrujadas e fiação velha.  Esse investimento foi de R$ 6 milhões, tentamos fazer o possível para recuperar o parque semafórico da capital, é claro que ainda falta muito, mas já fizemos muita coisa.

JD1 Notícias – Aumentaram  as queixas de que o trânsito em algumas vias dos bairros seria hoje mais intenso em alguns horários do que nas áreas nobres da cidade. Como isso vem sendo monitorado?

Janine de Lima Bruno - Na verdade, há muito tempo os bairros vêm se tornando centros comerciais importantes, se olharmos, por exemplo, para as Moreninhas, parece que estamos em uma cidade do interior, e uma das grandes. Lá tem de tudo, de modo que ela tem vida própria, assim o trânsito também tem o fluxo aumentado. Temos a rua da Divisão, que fica no bairro Parati, uma via importantíssima, assim como a Rachel de Queiroz, ruas que em alguns anos atrás as pessoas não viam muito movimento. A rua Três Barras também é outra que tem um fluxo muito intenso; antes não havia nada por lá e hoje é bem movimentada. Temos que ficar atentos a isso, todos os bairros possuem algumas vias importantes, precisamos ficar atentos sobre como reduzir a velocidade nestas ruas para que os acidentes não aumentem. Isso é normal, pois o número de veículos vem aumentando a cada dia e precisamos levar isso em conta, de modo que temos equipes espalhadas por Campo Grande durante o dia e a noite, que atuam nos semáforos, no trânsito, temos nossos engenheiros, estamos andando nos bairros. A população cobra muito, temos os conselhos regionais e somos cobrados pelos presidentes dos bairros, que reivindicam melhorias. Andamos com eles em suas regiões, pois não há ninguém melhor para nos mostrar os problemas, a fim de providenciarmos os trabalhos necessários em todos os locais de Campo Grande. Hoje, o grande problema em nosso município é a alta velocidade, de modo que não existe uma cidade, do porte de Campo Grande, que não precise da fiscalização eletrônica. Campo Grande favorece a velocidade, porque tem ruas largas e retas, planas. Sempre que recebemos visitas de engenheiros de trânsito de outros Estados eles dizem que estamos no céu. Mas, aqui pode ser o céu e o inferno, ao mesmo tempo. O céu pelo fato de não ter congestionamentos como os de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, mas, por outro lado, devido à alta velocidade temos acidentes muito violentos, o que resulta em feridos graves.

JD1 Notícias– Agetran, Guarda Municipal, Ciaptran, Detran... Não existem muitos órgãos fazendo a mesma coisa?

Janine de Lima Bruno - Parece assim, mas não é. O efetivo destas instituições é muito pequeno para o tamanho da cidade, então, com a união destes órgãos conseguimos um empenho melhor nas fiscalizações. O fato é que ninguém gosta de ser fiscalizado; quem paga o imposto de renda não gosta da Receita Federal, quem tem carro não gosta da Agetran ou do Batalhão de Trânsito. Mas imaginemos a cidade sem essas forças, sem as fiscalizações... Como seria? Se mesmo com uma atuação forte as coisas já são difíceis, imagina sem isso? Precisamos de todos. Por exemplo, o Batalhão de Trânsito cuida dos acidentes, das ocorrências, atua na fiscalização da Lei Seca. Já a Agetran trabalha e fiscaliza as obras, pois temos muitos trabalhos deste tipo em nossa cidade, e os agentes têm que atuar nas sinalizações de trânsito, além da fiscalização. Assim, é extremamente necessário que tenha um número maior de mão de obra possível, de modo que todas as forças devem atuar juntas.

 

Jornal de Domingo

 

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