Menu
Busca quinta, 21 de fevereiro de 2019
(67) 99647-9098
Opinião

A Lei Anticorrupção e seus reflexos nas empresas brasileiras

Conhecido também como Lei da Empresa Limpa, o decreto completou cinco anos em agosto

12 novembro 2018 - 17h23Gi­u­li­a­na Gat­tass

Co­nhe­ci­da co­mo a Lei An­ti­cor­rup­ção ou Lei da Em­pre­sa Lim­pa, a Lei n.º 12846/13 com­ple­tou em de agos­to, cin­co anos de pu­bli­ca­ção no Di­á­rio Ofi­ci­al da Uni­ão.  

A norma em vigor permite res­pon­sa­bi­li­zar e pu­nir, ci­vil ou ad­mi­nis­tra­ti­va­men­te, to­das as em­pre­sas que es­te­jam en­vol­vi­das em atos de cor­rup­ção con­tra a ad­mi­nis­tra­ção pú­bli­ca, tan­to no âm­bi­to na­ci­o­nal co­mo in­ter­na­ci­o­nal.

As em­pre­sas não estão mais isentas das pu­ni­ções de­cor­ren­tes do ato co­me­ti­do, mesmo que isoladamente, por um dos seus fun­cio­ná­rios, co­la­bo­ra­do­res ou ser­vi­do­res pú­bli­cos de acordo com o conteúdo do ar­ti­go 2º da le­gis­la­ção que de­fi­ne a res­pon­sa­bi­li­da­de de to­da e qual­quer em­pre­sa en­vol­vi­da em atos de cor­rup­ção con­tra a ad­mi­nis­tra­ção pú­bli­ca se­ja considerada res­pon­sa­bi­li­da­de ob­je­ti­va – sem ne­ces­si­da­de da com­pro­va­ção de do­lo ou cul­pa – e, as­sim sen­do, de­ter­mi­na a pos­si­bi­li­da­de de o em­pre­sá­rio ser res­pon­sa­bi­li­za­do pe­los atos ilí­ci­tos co­me­ti­dos tan­to no Bra­sil co­mo no ex­te­ri­or.

As em­pre­sas en­vol­vi­das se­rão al­vos de pro­ces­sos ad­mi­nis­tra­ti­vos que po­de­rão oca­si­o­nar im­po­si­ção de mul­ta no va­lor mí­ni­mo de 0,1% e má­xi­mo de 20% do fa­tu­ra­men­to bru­to do úl­ti­mo exer­cí­cio an­te­ri­or ao da ins­tau­ra­ção do pro­ces­so ad­mi­nis­tra­ti­vo, ou, no ca­so de ser im­pos­sí­vel ve­ri­fi­car o va­lor do fa­tu­ra­men­to bru­to da em­pre­sa, a mul­ta apli­ca­da se­rá de­ter­mi­na­da en­tre R$ 6 mil e R$ 60 mi­lhões.

A res­pon­sa­bi­li­zação da pes­soa ju­rí­di­ca es­fe­ra ad­mi­nis­tra­ti­va, não afas­ta a pos­si­bi­li­da­de de sua res­pon­sa­bi­li­za­ção na es­fe­ra ju­di­cial.

A no­va le­gis­la­ção pre­vê, ain­da, um pro­gra­ma de co­o­pe­ra­ção pa­ra as em­pre­sas que co­la­bo­ra­rem efe­ti­va­men­te com uma even­tual in­ves­ti­ga­ção te­nham um acor­do de le­ni­ên­cia (abran­da­men­to), o que po­de­rá re­du­zir em até dois ter­ços da pos­sí­vel pe­na.

En­tre as san­ções que po­dem ser apli­ca­das por ações ju­di­ci­ais es­tão: per­da dos bens e dos di­rei­tos ou va­lo­res que re­pre­sen­tem van­ta­gem ou pro­vei­to di­re­ta ou in­di­re­ta­men­te ob­ti­dos da in­fra­ção; sus­pen­são ou in­ter­di­ção par­ci­al de su­as ati­vi­da­des; dis­so­lu­ção com­pul­só­ria da pes­soa ju­rí­di­ca; e pro­i­bi­ção de re­ce­ber in­cen­ti­vos, sub­sí­di­os, sub­ven­ções, do­a­ções ou em­prés­ti­mos de ór­gã­os ou en­ti­da­des pú­bli­cas e de ins­ti­tu­i­ções fi­nan­cei­ras pú­bli­cas ou con­tro­la­das pe­lo po­der pú­bli­co, pe­lo pra­zo mí­ni­mo de um e má­xi­mo de cin­co anos.

Com in­tui­to de evi­tar o en­vol­vi­men­to em atos de cor­rup­ção e, con­se­quen­te­men­te, que ha­ja a pos­si­bi­li­da­de da Lei n.º 12846/13 ser apli­ca­da, mui­tas em­pre­sas ado­tam um pro­gra­ma de Com­pli­an­ce, ou se­ja, um con­jun­to de nor­mas des­ti­na­do a de­tec­tar, im­pe­dir e pu­nir des­vi­os, frau­des, la­va­gem de di­nhei­ro, fi­nan­cia­men­to ao ter­ro­ris­mo, ir­re­gu­la­ri­da­des e atos ilí­ci­tos, bem co­mo, con­ce­der in­cen­ti­vos aos fun­cio­ná­rios pa­ra que se­jam éti­cos, efe­tu­em de­nún­cias, além de co­o­pe­rar com os ór­gã­os de con­tro­le. As­sim sen­do, a ini­ci­a­ti­va, além de ser pre­ven­ti­va, pos­sui efei­to ate­nu­an­te em re­la­ção a res­pon­sa­bi­li­za­ção ad­mi­nis­tra­ti­va da pes­soa ju­rí­di­ca da Lei An­ti­cor­rup­ção.

Não há um mo­de­lo pa­dro­ni­za­do pa­ra es­se ti­po de pro­gra­ma e, por is­so, ca­da um de­les de­ve­rá ser ela­bo­ra­do de acor­do com o per­fil e as ne­ces­si­da­des da em­pre­sa em se­rá uti­li­za­do. Mas, sem­pre, no­ve pi­la­res de­ve­rão cons­tar nes­se pla­no: ad­mi­nis­tra­ção; ava­li­a­ção de ris­cos; có­di­go de con­du­ta e po­lí­ti­cas de com­pli­an­ce; con­tro­le in­ter­no; co­mu­ni­ca­ção; ca­nal de de­nún­cias; in­ves­ti­ga­ções in­ter­nas; due di­li­gen­ce (di­li­gên­cia pré­via); au­di­to­ria e mo­ni­to­ra­men­to.

No atu­al pa­no­ra­ma po­lí­ti­co-eco­nô­mi­co bra­si­lei­ro, a lu­ta con­tra à cor­rup­ção tem re­per­cu­ti­do de for­ma ho­mo­gê­nea em to­dos os se­to­res e com­pli­an­ce se tor­nou a pa­la­vra de or­dem nas em­pre­sas que bus­cam mi­ni­mi­zar os ris­cos e com­ba­ter di­re­ta­men­te es­se pro­ble­ma.

(Gi­u­li­a­na Gat­tass, doutora pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, advogada  e professora nos cur­sos de di­rei­to e de Ad­mi­nis­tra­ção da Uni­derp)

Deixe seu Comentário

Leia Também

Opinião
Mansour Karmouche: "Compromisso com o diálogo"
Opinião
Sou advogado ou Dom Quixote?
Opinião
Depoimento da irresponsabilidade da Vale
Opinião
Tribunais de Contas e os desafios do presidente
Opinião
Um país que precisa gerar 10 milhões de empregos não deveria atacar o Sistema S
Opinião
Emagrecer – Meta clássica de Ano Novo
Opinião
O fator Marun
Opinião
Habitação: Uma história para contar e uma história para construir
Opinião
Bolsonaro e o meio ambiente
Opinião
Novo ciclo, novas esperanças

Mais Lidas

Polícia
Depois de sair de festa, jovem morre ao capotar veículo no centro
Cidade
Evite ser multado, saiba onde estão os radares nas ruas da capital
Polícia
Dupla em motocicleta atira e acerta rosto de policial, na fronteira
Cidade
Prefeitura convoca aprovados em processo seletivo para merendeiro