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Opinião

O bicicletismo ou síndrome cicloviária

O arquiteto Fayez Risk fala sobre o investimento em construção de ciclovias

20 agosto 2019 - 11h30Fayez Risk

No Brasil, e não sei se é só aqui, há uma certa mania de elevar ao altar as ideias – se é que existem - do que chamo de “tchurma”.

Antigamente, eles se destacavam por usar camiseta branca, óculos redondinhos à Lennon e livro (qualquer) embaixo do braço e fazendo citações de autores, de preferência estrangeiros.

Hoje, são tatuados, mas continuam citando os “famosos quem” e a olhar com ar de benevolência misturada ao desdém para quem não comunga na cartilha sagrada (deles).

Já foi ou está sendo assim com o politicamente correto, a tal ideologia do gênero, o ambientalismo utópico ou, pior ainda, tudo junto e misturado. E bem misturado.

Agora em voga, o que eu chamo de bicicletismo, a nova mania dos descolados, de construção de ciclovias e o deslocamento por bicicletas.

Mas, vamos jogar uma luz sobre o assunto, se bem que inútil para os membros dessas “tchurmas”, quase sempre fanatizados.

Em princípio: bicicleta é ótima para a saúde, é ótima para o lazer, é ótima para o transporte individual, mas não serve para o transporte de massa!

Em nossa cidade há um movimento para a implantação de uma rede de ciclovias, que eu chamo de PSH, Plano Saudade do Haddad.

Nenhum plano pode se dissociar das prioridades da cidade e de seu planejamento macro.

Se não temos um sistema de mobilidade urbana e um transporte público de qualidade (aliás, coisas correlatas, mas distintas), investir em ciclovias é mau uso do escasso dinheiro público!

A bicicleta nunca vai substituir o transporte coletivo em Campo Grande, a começar pelo tamanho da área urbana e das condições climáticas e de topografia.

Comparar com cidades europeias é até covardia, se não for desonestidade intelectual!

Como exemplo prático: temos uma ciclovia de quase 10km, pelas Avenidas Ludio Coelho/ Nasri Siufi, passando por bairros com grande população, e com topografia favorável (fundo de vale) mas que é pouco utilizada, exceto para lazer!

Evidente que isso se dá porque além da falta de hábito cultural, Campo Grande tem percursos muito grandes, o micro clima está cada dia mais quente, a arborização mais escassa.

Afirmo: ciclovia serve como alimentadora de um bem planejado sistema de transporte público como, aliás, previa Jaime Lerner no seu Plano para Campo Grande há quarenta e um anos atrás!

E governar é definir prioridades, elencar e executar projetos mais importantes e essenciais.

Nesse momento, nossa cidade precisa de um novo Plano de Mobilidade Urbana e um novo sistema de transportes, no qual a ciclovia pode e deve ser um dos elementos, mas não o principal.

A construção de ciclovias é utilizada pelos administradores para mascarar a falta de investimento no transporte de massa e ficar “bonito na foto” para a galera “descolada” que usa para o lazer.

Pior, os nossos “líderes” (bem entre aspas) não tem conhecimento técnico e nem interesse para uma discussão produtiva sobre o assunto.

E na minha hora de lazer, vou alugar uma bicicleta e dar umas voltas no parque (ou na Afonso Pena) porque isso faz bem para a saúde.

Aconselho, sem ironia.

Athus Ingles

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