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Opinião

O Brasil está quebrado? Hoje não!

06 janeiro 2021 - 18h06Mateus Abrita

Recentemente existe um grande debate sobre o Brasil estar quebrado ou não.  Mas afinal quando um país quebra? Tentarei neste texto elucidar alguns desses pontos e mostrar elementos concretos de que apesar de em situação difícil o Brasil não está quebrado. Todavia, é importante ressaltar que caso ingerências e decisões equivocadas sejam constantemente tomadas, a situação econômica pode ir se deteriorando em patamares cada vez mais elevados. 

De modo bastante simplificado, um país quebra quando possui uma dívida em moeda que não emite e não consegue efetuar os pagamentos, nem mesmo por meio de empréstimos internacionais. Ou seja, no caso do Brasil seria uma dívida externa em dólares, por exemplo. Isto já aconteceu em alguns momentos da nossa história e ficaram conhecidos como moratórias, uma famosa foi em 1987. Atualmente o Brasil é credor internacional e possui reservas em moeda estrangeira na casa de US$ 356,93 bilhões no início de dezembro de 2020. Então, por este fator nós não estamos quebrados. Cabe destacar também que o Brasil registrou um superávit de US$ 50,9 bilhões na balança comercial, maior que o de 2019, ou seja, atraímos dólares e tivemos saldo positivo.  

Outro dado concreto de que um país pode estar quebrado seria não conseguir financiar sua dívida. O Brasil elevou muito seu endividamento no ano de 2020 para fazer frente a queda de arrecadação e aumento dos gastos no combate a pandemia. Por este indicador também não temos problemas, o Brasil vem conseguindo se financiar com taxas muito baixas por conta da redução da taxa Selic. Estamos vivendo uma fase no qual o Brasil se endivida nas taxas mais baixas da história. Ou seja, um país quebrado não consegue tomar novos empréstimo, o Brasil além de conseguir, está fazendo isso a taxas muito mais baixas que em outros períodos. 

Contudo, apesar do Brasil não estar quebrado, os desafios econômicos são enormes e urgem por um planejamento estratégico que perpasse por uma política de geração de emprego e renda nos próximos anos, com estímulos ao investimento, sobretudo nos setores que mais geram emprego. Neste momento de baixo dinamismo da atividade economia é fundamental, além de mitigar de modo efetivo as questões da pandemia, uma politica de investimentos público e privados que promovam uma melhora da infraestrutura do país ajudando na competitividade da economia ao mesmo tempo na geração de empregos.  

Portanto, o Brasil na data de hoje não está quebrado, contudo caso não sejam adotadas medidas de uma gestão estratégica eficiente, que perpasse por diminuição das incertezas, enfretamento competente da pandemia, promoção dos investimentos públicos e privados, apoio aos setores vulneráveis, estímulos de política monetária e fiscal, é possível que a situação fique numa continua deterioração e que acabe em bancarrota.  

*Mateus Boldrine Abrita é Professor na UEMS e doutor em economia pela UFRGS

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