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Opinião: O Deus de cada um, e a vacinação contra a Covid

12 janeiro 2022 - 08h00Josiberto Martins de Lima Advogado Procurador da Fazenda Nacional, aposentado.

Nessa quadra da história, ainda no primeiro quarto do Século XXI, a sociedade brasileira tem sido defrontada com situações extremas de estresse, tanto no campo dos desastres ambientais, alguns causados pela ação do homem, caso de muitos dos incêndios ocorridos na Amazônia e no Pantanal, como também no que se refere aos embates políticos e ideológicos, que têm provocado cisões em todas as dimensões do tecido social, desde as congregações religiosas, entidades de classe, confrarias, grupos de amigos e familiares. Muitos dos influxos das tensões são causados por conteúdos com tônus “conservadores” e pautas de costumes em que são engendrados argumentos citando Deus, os seus mandamentos, que estariam sendo olvidados. Nesse pequeno espaço vou me ater aos embates políticos e ideológico, sobretudo em virtude da querela provocada pelo Ministério da Saúde, sob a orientação do presidente da República, em relação à vacinação contra a Covid de crianças de 5 a 11 anos.

Pois bem, todos sabem qual a posição do principal mandatário da Nação, Jair Bolsonaro, frente à Pandemia do Coronavírus, sempre no sentido de negar as evidências reveladas em pesquisas científicas e contra os benefícios da vacinação da população, como fator primário de contenção do avança da doença. Também se recusa o chefe da Nação a cumprir outras medidas importantes de biossegurança, como é o caso do uso de máscaras e evitar aglomerações, que provoca quase que diariamente. Na campanha de parceria com o vírus, para infelicidade da grande maioria da população brasileira, o presidente negaceiro conta com o apoio de um grupo radical de seguidores, que juntos causam certa aparência de que são muitos, mas que a cada dia vai definhando, inclusive entre militares, de onde saiu pela porta dos fundos para ingressar na carreira política.

O entrevero do presidente da República com a Anvisa no que se refere à vacina contra a Covid se transformou num cavalo de batalha desde a aprovação inicial do imunizante, sempre no sentido de lançar dúvidas quanto a sua eficácia, sendo folclórica a pilhéria de que a pessoa ao se imunizar poderia se transformar em jacaré. Mas a aprovação do imunizante para crianças de 5 a 11 anos causou no presidente da República e em seu pequeno grupo de apoio, inclusive no ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, uma tremenda revolta, muito embora a vacina já tenha sido aplicada em milhões de crianças na mesma faixa etária ao redor do mundo, principalmente em países desenvolvidos, sem nenhum registro de casos adversos de forma grave, e ainda o fato de que há centenas de registros de óbitos de crianças nessa mesma faixa etária causados pela Covid. Não obstante, o presidente e o grupo radical que o apoio, se fia em tratamentos com medicamentos comprovadamente ineficazes contra a doença, que já vitimaram muitas vidas, e se apegam a um bordão muito usado durante a campanha eleitoral de 2018, “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, que tem relação com o movimento integralista, de Plínio Salgado; com a ideia de um patriotismo muito peculiar, de que somente os que pensam da mesma forma que eles são patriotas; e também a ideia de um Deus que é muito específico desse mesmo grupo radical, um Deus vingador e que castiga a quem não se comporta da forma que eles entendem que deva ser adequada a um “cristão”.

O último lance da contenda que tem de um lado o presidente negaceiro, o seu grupo radical, e de outro lado a maioria da população que já se vacinou contra a Covid – mais de 75% com a primeira dose e cerca 68% também com a segunda dose, ciclo vacinal completo – foi dado pelo presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, que emitiu uma nota muito adequada em resposta a uma provocação falaciosa do chefe da Nação, que durante uma entrevista a uma emissora de rádio indagou: “O que que está por trás disso? Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual o interesse das pessoas taradas por vacina?". Na nota o presidente da Anvisa faz um relato sucinto e preciso da atuação da nossa agência reguladora, justifica os atos que culminaram com a aprovação da vacina da farmacêutica Pfizer para crianças de 5 a 11 anos, e arremata com dois trechos com os quais concluo esse artigo: "Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, Senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar."; "Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate. Estamos combatendo o mesmo inimigo e ainda há muita guerra pela frente".

           

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