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Opinião

Um país muito caro

07 janeiro 2014 - 00h00Ruben Figueiró
Em qualquer roda de amigos um tema parece ser recorrente: como está caro viver no Brasil! Se compararmos com outros países vemos que aqui a roupa, os eletroeletrônicos, os carros, a comida, os serviços, tudo, é mais caro.

Há algum tempo o Brasil está muito caro. Por quê? Por que não conseguimos encontrar saídas para melhorar a qualidade dos nossos serviços públicos, reduzir a cobrança de tributos, incentivar a iniciativa privada e o empreendedorismo, etc.?

Diagnósticos já existem. Só falta colocar em prática as ações preventivas, que por fim, podem garantir a melhoria de vida da nossa população.

Uma explicação para entende porque o País é muito dispendioso para o nosso bolso é o custo da logística de transporte. Ao compararmos a realidade entre Brasil e Estados Unidos, evidenciamos os prejuízos para a economia nacional em decorrência da precariedade de nossa infraestrutura logística e de armazenamento.

No plantio, inexiste desnível no patamar de tecnologia empregada aqui e no agronegócio ianque, assegurando continuado incremento da produtividade e repetidos recordes no volume da produção. Já no que tange à infraestrutura de transporte, aquela com que contam os produtores norte-americanos está anos-luz à frente da disponível para os brasileiros. Essa vasta diferença implica, em detrimento do Brasil, custos que reduzem os rendimentos dos agricultores e elevam o preço final dos alimentos.

A Macrologística, uma consultoria especializada nesse setor, realizou levantamento que chegou a uma conclusão deveras preocupante: oito por cento dos gastos do brasileiro com alimentos correspondem ao custo do seu translado da fazenda para indústrias, portos e supermercados. Já nos Estados Unidos, apenas três por cento do valor desembolsado para o pagamento de uma refeição são usados para cobrir o custo com o transporte dos produtos. Em outras palavras, o custo do transporte aqui é quase três vezes superior ao de lá.

Isso reflete diretamente no orçamento familiar. Levantamento feito pelo Estado de São Paulo recentemente detectou que a batata inglesa estava sendo vendida, em Nova Iorque, pelo valor equivalente a quatro reais e sessenta centavos o pacote de dois quilos e meio. Em São Paulo, a mesma quantidade tinha custo mais de duas vezes e meia superior, chegando a doze reais. Já o pacote de meio quilo de cenouras “baby” custava, em Nova Iorque, o equivalente a três reais e oitenta e nove centavos. A mesma quantidade, no supermercado paulistano, saía por nada menos que onze reais e trinta e oito centavos, quase três vezes mais caro.

O alto preço dos alimentos na mesa do brasileiro é reflexo direto do baixo investimento em logística. Enquanto os Estados Unidos investem o equivalente a quatro por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em transporte, o Brasil investe apenas meio por cento do seu PIB nesse setor.

Outro agravante é que nossos investimentos em transportes estiveram, ao longo de décadas, concentrados quase que exclusivamente em rodovias. Já os Estados Unidos, embora não tenham descuidado de abrir excelentes autoestradas, investiram também volumosos recursos em ferrovias e hidrovias. O que não ocorreu por aqui. E a região mais penalizada, é exatamente a que concentra a maior parte da nossa produção, a região Centro-Oeste.

Felizmente, o Governo acabou por ceder aos ditames do bom senso, adotando, pouco tempo atrás, o programa de concessões que objetiva reduzir essa defasagem. Mesmo sendo de oposição, felicitei o Governo pela realização do leilão de concessão da BR-163. A atuação do consórcio vencedor certamente melhorará a trafegabilidade para os usuários de nosso Estado. Falta agora ver medidas eficazes para as outras alternativas de transporte e assim, quem sabe, começar a mudar a máxima de que o Brasil é um país caro.

Ruben Figueiró - senador pelo PSDB-MS

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