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Antes de suicídio, PM desabafa em carta de despedida

Em seu relato, Franciso Barroso falou sobre sua luta contra depressão e estresse no trabalho

20 agosto 2019 - 18h35Mauro Silva, com informações do BHAZ

Em um texto que viralizou pelas redes sociais, o policial de Belo Horizonte (MG) Francisco Barroso, de 28 anos, relatou, eu uma carta de despedida, a luta contra a depressão e o alcoolismo antes de cometer suicídio no último domingo (18). 

Em seu relato de despedida ele disse que está cansado. "Infelizmente, através desta, despeço-me de tudo e todos. Estou cansado de mim mesmo, de fazer bobagens, de beber demais. Há alguns tempos travei uma batalha contra a depressão e o uso abusivo de álcool, mas, infelizmente, perdi”, relatou.

Em outro trecho, Barroso pede perdão e destaca que ser policial é estressante. “Peço perdão aos que ficam e, principalmente, a Deus. Que receba minha alma de braços abertos e faça parar a vergonha constante que sinto de mim mesmo. Sempre fui uma boa pessoa e jamais prejudicaria alguém, mas tão somente eu mesmo”, afirmou

“Foram nove anos na Polícia Militar e eu vos digo, caros amigos: cuidem-se! A polícia é super estressante e, como no meu caso, pode ser fatal”, declarou.

Conforme dados da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra), somente este ano, foram 31 mortes de profissionais da área de segurança por autoextermínio no estado.

O corpo do Francisco Barroso foi sepultado na tarde desta segunda-feira (19)

Carta completa:

"Infelizmente, através desta, despeço-me de tudo e todos. Estou cansado de mim mesmo, de fazer bobagens, de beber demais. Há alguns tempos travei uma batalha contra a depressão e o uso abusivo de álcool, mas, infelizmente, perdi.

Peço perdão aos que ficam e, principalmente, a Deus. Que receba minha alma de braços abertos e faça parar a vergonha constante que sinto de mim mesmo.

Sempre fui uma boa pessoa e jamais prejudicaria alguém, mas tão somente eu mesmo.

Foram 9 anos na Polícia Militar e eu vos digo, caros amigos: cuidem-se! A polícia é super estressante e, como no meu caso, pode ser fatal.

Agradeço imensamente ao carinho e atenção de minha mãe, Elizabeth, e meu irmão, Raul. São pessoas maravilhosas que me amam muito. E eu também sempre amarei vocês.

Um grande abraço a todos os meus amigos, sejam do Ordem e Progresso, do Cefet, Tiradentes, da PMMG, do curso de Direito ou História.

NINGUÉM TEM CULPA DE NADA! Essa é uma decisão minha.

Cuidem-se e não me julguem. Orem por mim. E quero que se lembrem sempre de mim pelos sorrisos, pelas brincadeiras.

Para meus familiares: doem meus órgãos. Ajudem quem realmente precisa".

 

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