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Familiares são os que mais se aproveitam e abusam sexualmente de crianças

Promotor de Justiça Marcos Alex afirma que houve aumento nas denúncias e 'Caso Sophia' ajudou pessoas a procurarem autoridades

11 maio 2023 - 11h45Luiz Vinicius e Karine Alencar    atualizado em 11/05/2023 às 15h49

O Promotor de Justiça, Marcos Alex, explicou na manhã desta quinta-feira (11), durante uma coletiva de imprensa, que houve um aumento considerável no número de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes em Mato Grosso do Sul, especialmente em Campo Grande.

Hoje, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul deflagrou a segunda fase da 'Operação Arabeli', que cumpre pelo menos 11 mandados de busca e apreensão, além de outros 11 mandados de prisão contra pessoas que já possuem condenação por crimes sexuais contra crianças e adolescentes.

"Vi um aumento violento no número de casos, principalmente aqui na Capital que a gente tem visto uma epidemia de casos. Aumentou em forma significativa no número de medidas protetivas que já passaram de 400. As pessoas então tomando consciência de denunciar os casos para que as respectivas pessoas sejam identificadas e punidas", disse Alex.

Ainda em sua fala, o Promotor afirmou que o caso da menina Sophia, de 2 anos, estuprada e morta pela mãe e pelo padrasto, virou referência para que as pessoas criassem coragem em denunciar outros casos de violência contra as crianças. "Após o caso Sophia, as pessoas começaram a denunciar. Em grande maioria dos casos, são pessoas da família que se aproveitam e abusam da criança. Sem denúncia, não é possível estartar a identificação, mover processos e chegar a uma investigação".

Na coletiva, foi informado que dos 11 mandados de prisão, 6 já foram cumpridos. A operação deve se estender por toda a quinta-feira, tendo equipes do Ministério Público e da Polícia Militar, atuando em diligências pela cidade através dos alvos.

"O crescimento se dá primeiro porque aumentou as denúncias. Por exemplo, o vizinho ouvia e não denunciava, hoje já não. Hoje também há uma intolerância, os ânimos estão sempre acirrados e isso reflete em casa, e as crianças são afetadas. As pessoas passaram a denunciar, as escolas. A gente percebe que em MS tem um volume grande dessa natureza e confesso que estou há 22 anos no MP e dois anos nessa área e não tinha noção de como é numeroso os casos", comentou Marcos Alex.

O promotor de Justiça salienta que quem se omitir aos casos de violência contra as crianças e aos adolescentes poderá responder tal qual quem comete as agressões e maus-tratos. "Aquele indivíduo que tem a missão de proteger, a mãe, o pai, pessoas próximas da família, ainda que não tenha encostado na vítima, vai responder por igual".

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