Após “descer” para a primeira instância e sair das mãos do desembargador Luiz Claudio Bonassini, o destino da operação “Coffee Break” agora está nas mãos do Juiz Marcelo Ivo de Oliveira da 7ª Vara Especial Criminal, segundo as informações contidas no site do Tribunal de Justiça de Mato grosso do Sul. A denúncia "caiu" de competência após o ex-prefeito Gilmar Olarte renunciar ao cargo de prefeito e vice-prefeito que ele "juridicamente" acumulava.
Agora, caberá a Marcelo Ivo decidir o destino dos 24 denunciados por corrupção ativa, passiva e associação criminosa. Foram denunciados Gilmar Olarte, João Amorim (empresário), João Baird (empresário), Mario Cesar (vereador), Fábio Machinsky (empresário), Airton Saraiva (vereador), Flávio César (vereador) são denunciado por associação criminosa e corrupção ativa. Apenas por associação criminosa: AndréPuccinelli ( ex-governador), Nelson Trad Filho (ex-prefeito), Luiz Pedro Guimarães (empresário), Raimundo Nonato de Carvalho (empresário), André Scaff (procurador da Câmara) e CarlosNaegele (empresário). Soma-se a estes nomes mais 11 em corrupção passiva: Edil Albuquerque, Carlos Augusto Borges (Carlão), Edson Shimabukuro, Gilmar da Cruz, Eduardo Romero, Jamal Salém, João Rocha, Alceu Bueno, Otávio Trad, Paulo Siufi e Waldecy Batista Nunes.
A operação que marcou Campo Grande
O relatório foi entregue em 9 de dezembro do ano passado, quando Humberto Brites ainda era o procurador Geral e narra uma suposta tentativa de corrupção ativa e passiva entre parlamentares e empresários para que o mandato do prefeito Alcides Bernal fosse cassado.
A operação Coffee Break é um desdobramento de duas outras operações, a ADNA (em alusão a denominação religiosa) e em maior e mais aprofundada parte, a investigação conduzida pela Polícia Federal que na operação Lama Asfáltica, acabou flagrando conversas telefônicas entre o empresário João Amorim, o prefeito afastado Gilmar Olarte e também o então presidente da Câmara, vereador Mario Cesar.
Com as escutas telefônicas devidamente autorizadas pela justiça. O MPE (Ministério Público Estadual) por meio do Gaeco (Grupo de atuação especial e combate ao crime organizado) deflagrou em agosto de 2015 a operação “Coffee Break”, em alusão ao termo “cafezinho” que seria um termo usado para propina.
Tal qual uma novela, o enredo teve nuances dramáticos com o afastamento em 25 de agosto do ano passado de Olarte e Mario Cesar de seus respectivos cargos, e a recondução de Alcides Bernal para o cargo, em outro processo que já corria judicialmente desde sua cassação. Mario conseguiu voltar ao cargo só depois de renunciar a presidência da Câmara, e Olarte ainda amarga o afastamento.
Uma suposta trama que envolve apenas telefonemas e “ouvi falar”
Segundo apurado pela reportagem, o relatório inicial confeccionado pelo Gaeco e que serviu para respaldar o posicionamento do Tribunal de Justiça no afastamento de Olarte e Mario Cesar, além da condução coercitiva de mais oito parlamentares e apreensão de celulares deles e empresários como João Baird, dono da Itel e Fábio Portela Machisnky, o Fabão.
Em todo o relatório inicial, transcrições de conversas telefônicas onde o assunto principal era a saída de Bernal do cargo, além de uma possível ligação entre João Amorim e Gilmar Olarte e recortes de matérias que saíram da mídia, além de textos de assessoria de imprensa de vereadores que na época estavam na base de apoio de Alcides Bernal, como é o caso de Zeca do PT.
As conversas envolviam uma suposta compra de votos para cassar o mandato de Bernal, onde o principal articulador seria Amorim, já que ele se sentia prejudicado por não receber o que a Prefeitura lhe devia, e ter contratos milionários com o poder municipal.
Segundo apurado pela reportagem, o relatório inicial serviria para a denúncia a ser apresentada no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul ainda esta semana. O processo que não está em sigilo, mostra que a conclusão é de apontamento de “indícios da prática dos crimes de corrupção ativa e corrupção passiva, que envolvem as pessoas abaixo qualificadas, ora na condição de autores, ora na condição de testemunhas”. Porém, informações extra-oficiais afirmam que o número era muito mais amplo do que o divulgado.

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