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Política

Direita amplia domínio em MS e abre nova disputa interna para 2026

Levantamento mostra crescimento conservador desde 2018 e avanço do PL como força ligada ao bolsonarismo no Estado

24 maio 2026 - 09h45Sarah Chaves

O cenário político eleitoral para 2026 aponta para uma direita forte, mas muito disputada internamente, mudança percebida desde 2018, quando as ideologias se dividiram entre "lulismo" e "bolsonarismo". Em Mato Grosso do Sul, os partidos de centro-direita e direita se consolidaram em torno da base governista, e o desafio para 2026 é o espaço para todos que orbitam nessa aposta.

Conforme dados de uma pesquisa conduzida pelo procurador estadual Shandor Torok, que avalia os últimos 20 anos do eleitorado sul-mato-grossense, no período de 2002 a 2022 os currais eleitorais se fragmentaram, principalmente na Capital, que possui o maior colégio eleitoral de Mato Grosso do Sul, com peso dois de importância nas eleições de 2026.

A principal característica apontada no estudo foi o enfraquecimento do PMDB e do PT e a consolidação do PSDB como principal força territorial a partir de 2018, chegando a alcançar 62 prefeituras, força que começou a se dissolver a partir de 2024.

Agora, o PSDB "briga" com aliados. O partido que elegeu o governador Eduardo Riedel em 2022 divide espaço com o PP, que, por sua vez, federado com o União Brasil, tem a maior bancada no Congresso e deve distribuir sua força para candidatos sul-mato-grossenses, entre eles Dagoberto Nogueira e Luiz Ovando, pelo PP, e Geraldo Resende e Rose Modesto, pelo União.

O PSD, por sua vez, terá apenas Nelsinho Trad, sem chapa para deputado federal e Executivo, apoiando a candidatura em torno de Riedel e Reinaldo Azambuja (PL). Quem também está no grupo é o Republicanos, que, sob comando do deputado federal Beto Pereira, tem pela primeira vez quatro deputados estaduais na Assembleia e o vice-governador, que pode entrar na construção da chapa pela reeleição do governador.

Para deputado federal, o Republicanos aposta na reeleição de Beto Pereira e em Isa Marcondes, vereadora de Dourados, segundo maior colégio eleitoral do Estado. Além deles, o partido também conta com Roberto e Dione Hashioka e Jaime Verruck.

O partido é um dos que se consolidaram e ampliaram sua força com a janela partidária e disputa o voto do eleitor da direita com PL, PSDB, PP, União Brasil e PSD. Do outro lado, o PT, junto com PV e Cidadania, articula aliança com Podemos e PDT.

Esse avanço da direita ao longo das últimas eleições ajuda a explicar o cenário atual em Mato Grosso do Sul. O crescimento do PSDB a partir de 2018 e a chegada do PL com força em 2022 consolidaram um campo conservador forte no Estado, mas dividido entre diferentes partidos e lideranças. 
 

Mapeamento

É nesse contexto que a pesquisa realizada por Shandor Torok mostra como o mapa político sul-mato-grossense mudou nas últimas duas décadas. Em 2002, o então PMDB (atual MDB) liderava em 35 dos 77 municípios analisados, enquanto o PT aparecia em segundo, com domínio em 23 cidades.

Na eleição de 2006, o PT alcançou o melhor desempenho territorial da série histórica e assumiu a liderança estadual com domínio em 36 dos 78 municípios. O PMDB caiu para 28 cidades. O PDT apareceu com sete municípios, resultado associado ao desempenho eleitoral de Dagoberto Nogueira. O levantamento também aponta que Vander Loubet figurou entre os candidatos mais votados daquele pleito, alcançando 10,8% dos votos estaduais.

Em 2010, os números voltaram a mostrar equilíbrio entre os dois grupos políticos. O PMDB liderou em 30 municípios, contra 27 do PT. Já PR e PSDB apareceram empatados com oito municípios cada. O cenário de polarização territorial atingiu o ápice em 2014, quando PMDB e PT registraram empate perfeito, com 37 municípios cada.

A pesquisa destaca que 2014 foi o ciclo eleitoral mais competitivo da série. O equilíbrio entre os dois principais grupos políticos refletiu diretamente na composição da bancada federal eleita naquele ano. O levantamento também mostra que o PMDB esteve entre os partidos com deputados federais mais votados entre 2002 e 2014, situação que começou a mudar de forma significativa apenas em 2018.

A eleição de 2018 é apontada como a maior transformação política da série histórica. O PSDB, que havia registrado entre dois e oito municípios nos ciclos anteriores, saltou para 62 dos 79 municípios sul-mato-grossenses, passando a dominar cerca de 78% do território estadual. O crescimento representou um avanço de 54 municípios em apenas uma eleição.

Segundo Shandor, a explicação mais imediata é a força do governo Reinaldo Azambuja. "O PSDB estava no comando do Estado, tinha estrutura, candidatos competitivos, relação com prefeitos e capacidade de articular lideranças locais. Mas isso, sozinho, talvez não explique a dimensão da mudança".

Há ainda a combinação entre a máquina estadual do PSDB e uma onda nacional de direita. Entre os eventos citados por Shandor estão a Lava Jato, o impeachment, o antipetismo e a crise do MDB, que abriram espaço para uma reorganização completa do eleitorado.

Além do PSDB, o DEM apareceu com oito municípios dominados, enquanto o MDB caiu para apenas três e o PT para dois.

O levantamento aponta que a mudança observada em 2018 não foi apenas uma alternância eleitoral, mas uma reestruturação do mapa político estadual. Municípios que historicamente votavam em candidatos ligados ao PT e ao PMDB passaram a concentrar apoio em nomes ligados ao PSDB, consolidando uma nova configuração territorial no Estado.

Em 2022, o PSDB manteve a liderança com domínio em 62 municípios. O diferencial do pleito, segundo a pesquisa, foi o crescimento do PL, que apareceu com seis municípios, abrindo espaço para uma divisão do eleitorado conservador. O PT registrou presença em cinco cidades, enquanto o PP apareceu com três.

Enfraquecimento de tradicionais

Para Shandor, a queda do MDB decorre de três fatores. O primeiro é que o partido perdeu a posição que ocupava no sistema político brasileiro de intermediação entre Brasília, governos estaduais, prefeituras e bases locais. Depois da Lava Jato, do impeachment e da crise do sistema político tradicional, essa função foi abalada.

O segundo fator é estadual. Em Mato Grosso do Sul, o MDB perdeu força após a migração de prefeitos, vereadores e lideranças locais para partidos ligados ao governo estadual e à nova direita.

O terceiro fator é orçamentário. O avanço das emendas parlamentares deu mais autonomia a deputados e senadores para enviar recursos aos municípios, reduzindo a dependência das antigas máquinas partidárias.

Os quadros da pesquisa também indicam que os deputados federais mais votados acompanharam essas mudanças partidárias ao longo do período analisado.

Guinada do PL

Outro ponto destacado é que a composição ideológica da bancada federal sul-mato-grossense se tornou mais alinhada à direita a partir de 2022, com predominância de partidos como PL, PSDB e PP no comando territorial dos municípios.

Em 2022, o PL passa a aparecer como alternativa mais diretamente associada ao bolsonarismo.

Isso sugere que a direita sul-mato-grossense começou a se diferenciar internamente. O PSDB continuava forte como máquina territorial. O PL crescia como expressão ideológica e digital da direita bolsonarista.

A pesquisa aponta que a direita segue forte em Mato Grosso do Sul, mas com disputa interna entre partidos como PSDB e PL. "O mais provável é a permanência de uma direita forte, mas cada vez mais disputada internamente", aponta o pesquisador. O estudo cita três bases dessa força: agro, emendas parlamentares e redes sociais. Já o caso Master pode desgastar o discurso moral da direita bolsonarista e abrir espaço para grupos mais regionais, administrativos e municipalistas dentro do próprio campo conservador.

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