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Política

Ex-deputado Severino Cavalcanti deixa prefeitura sucateada

14 janeiro 2013 - 10h02Leo Caldas/Folhapress

Aos 82 anos e com a ficha suja até 2015, o ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP) encerrou seu mandato de prefeito em João Alfredo (PE) sem pagar salários de dezembro dos servidores, devendo a fornecedores e sob denúncias de sucateamento de equipamentos públicos.

As contas do município estão bloqueadas pela Justiça.

Nos quatro anos em que administrou sua cidade natal (a 110 km de Recife, com pouco mais de 30 mil habitantes), ele nunca cumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Foi multado duas vezes pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), por ultrapassar o limite de 54% de comprometimento da receita com o pagamento de pessoal.

No ano eleitoral de 2010, Severino chegou a comprometer 79% da receita municipal com esses salários.

Mesmo assim, os servidores não recebiam em dia. Havia indícios de que a prefeitura pagava fornecedores em detrimento aos funcionários, disse o promotor de Justiça Luiz Guilherme Lapenda.

Por esse motivo, em 2012, as contas da prefeitura foram bloqueadas duas vezes pela Justiça, a pedido de Lapenda.

Severino, que já havia comandado a Prefeitura de João Alfredo entre 1963 e 1966, tentou se reeleger no ano passado, mas a Justiça recusou a sua candidatura, com base na Lei da Ficha Limpa.

Ele está proibido de disputar eleições até 2015 porque renunciou ao mandato de deputado em 2005, após ser acusado de receber um mensalinho para manter ativo um restaurante da Câmara.

Severino apoiou a candidatura de sua vice na chapa, Anna Mendes (PSDB), mas a tucana foi derrotada por Maria Sebastiana (PTB).

Caso de polícia
Logo após assumir, a nova prefeita reclamou do que viu e acusou o seu antecessor de sucatear a prefeitura.

Boletins de ocorrência foram lavrados na delegacia da cidade para registrar os problemas que ela encontrou.

Os mais graves estão no único hospital do município.

A sala de cirurgia foi interditada porque a porta que isolava o bloco do restante da unidade foi arrancada. A área de assepsia dos cirurgiões também ficou sem porta.

Na sala de vacinas, a energia elétrica foi cortada no final do ano, e 3.000 doses que estavam estocadas em geladeiras foram perdidas.

Postos de saúde foram desativados, e tratores e veículos da frota oficial, como ônibus escolares, estão parados por falta de manutenção.

As dívidas com fornecedores, segundo a prefeita, chegam a R$ 2,69 milhões, o equivalente a 6,3% do Orçamento municipal de 2013.

Os eleitores fiéis de Severino se dividem ao avaliar o que pode ter sido o último mandato de seu mais ilustre cidadão. Para o comerciante José Manço Ferreira, 74, o desempenho dele foi decepcionante. Não acredito que terá outra oportunidade.

Outro antigo eleitor de Severino, José Nemésio de Lima, 83, discorda. Para ele, o ex-prefeito foi injustiçado e é vítima de complô dos adversários desde o mensalinho. Na política é assim mesmo, disse ele.

Em carta, Severino diz que bloqueio de contas impediu pagar as dívidas
Em carta distribuída à população de João Alfredo no final do seu mandato, o ex-prefeito Severino Cavalcanti (PP) disse que a prefeitura tinha dinheiro em caixa, mas que não pagou as suas dívidas devido ao bloqueio das contas.

"Era nosso grande desejo não deixar pendências, mas o que importa é que deixamos em conta os valores suficientes para o pagamento."

Na carta, de oito páginas, o ex-prefeito faz uma retrospectiva da sua administração. Lista obras e serviços e diz estar de "consciência tranquila" em relação ao seu trabalho.

Seu filho e herdeiro político, o deputado estadual José Maurício Cavalcanti (PP), 56, negou irregularidades e disse acreditar que seu pai ainda paga pelo escândalo do "mensalinho", na Câmara. "Por um fato que até hoje não foi esclarecido, ele é maculado o tempo todo."

José Maurício atribuiu os bloqueios das contas a "denúncias da oposição" e disse que seu pai não cumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal devido à queda "vertiginosa" do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e ao aumento dos salários dos professores.

Segundo ele, o ex-prefeito aumentou a frota de veículos, comprou móveis para as escolas e não pode ser culpado por supostas ações individuais, como o desligamento das geladeiras onde estavam 3.000 doses de vacinas.

Via Folha

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