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Política

“PMDB não é coadjuvante nunca”, afirma Junior Mochi

Em entrevista, deputado fala sobre as eleições para prefeiro. Confira

02 julho 2016 - 06h59da Redação

Presidente do PMDB/MS e da Assembleia Legislativa, o deputado Junior Mochi admite que o partido não tem hoje nenhum nome tão forte quanto André Puccinelli, mas afirma que a sigla não será  coadjuvante durante as próximas eleições, mesmo que não lance candidatura própria. Ele ainda comenta que a atividade política está desacreditada e que bons candidatos que poderiam disputar o pleito preferem não se arriscar. Também fala sobre a nova legislação eleitoral e as mudanças que esta causará nas campanhas, acrescentando que os trabalhos da Assembleia não serão afetados. 

Jornal de Domingo – Apesar de alguns candidatos já terem bons números, ninguém ainda empolga na eleição para prefeito. Por quê?

Junior Mochi – A atividade política neste momento está extremamente debilitada, descredibilizada, diante da população. Embora eu entenda – e boa parte da população também – que a solução dos nossos problemas passe fundamentalmente pela ação e pela decisão política, por uma gestão eficiente, honesta e eficaz, nós vivemos um momento na vida do país em que há uma criminalização da atividade política e, por isso mesmo, os bons candidatos, que realmente têm todo um perfil para serem bons administradores, acabam tendo certo desânimo de participar. Eu tenho visto muitas candidaturas em que a pessoa está à frente nas pesquisas, com uma eleição, em tese, até fácil do ponto de vista eleitoral, e que não quer ser candidato por várias razões. Normalmente essas pessoas têm uma vida consolidada na iniciativa privada, uma vida de serviços prestados e não querem emprestar o nome para concorrer a uma eleição municipal e depois, dez anos após concluir o mandato ficar respondendo processo, estar à disposição da Justiça. Ele deixa de ser um cidadão de bem e passa ter sua honestidade questionada. A boa parte das pessoas não quer ter seu nome ligado à atividade política. Isso é muito ruim, porque ao invés de nivelar por cima, a atividade política está sendo nivelada por baixo. Então por mais que a classe política esteja descredibilizada em função de atitudes de alguns, a sociedade tem de entender que a política é fundamental em nossas vidas e é a mudança que esperamos – não só comportamental, mas de atitude, de gestão, de priorização das políticas públicas, dos resultados práticos em favor da sociedade – e que virá fundamentalmente por meio de ações daqueles que elegemos. Portanto, nós precisamos resgatar a importância da atividade política para a sociedade. Eu acho que isso não é papel de um partido apenas, é papel de todos. Não é interessante para ninguém diminuir a importância da utilidade política e a importância daqueles que exercem mandato eletivo. 

Jornal de Domingo – Se o Andre não sair candidato, o PMDB será mero coadjuvante? 

Junior Mochi – Tenho convicção de que o PMDB não é coadjuvante em nenhuma situação. Independente de se ter ou não a candidatura própria, o PMDB é um partido forte, grande, que qualquer que seja a coligação se interessa por ele. O fato de ter ou não a candidatura própria não retira sua importância dentro do processo. Obviamente, temos interesse e o PMDB tem como foco prioritário a candidatura própria. André Puccinelli tem todo um legado de trabalho, de serviços prestados a Campo Grande; é uma liderança extremamente forte e é, dentre os nomes que temos, além de ser o mais forte política e eleitoralmente, o que agrega todo o PMDB, que é um partido grande. Claro que todo nosso interesse está voltado para sua candidatura. Agora, esta é uma decisão que cabe a ele, de cunho pessoal. Por isso ele está analisando o cenário, todos os prós e contras de sua decisão, para não tomar uma que ao invés de auxiliá-lo possa prejudicá-lo. Nós respeitamos sua decisão pessoal, mas queremos que ele seja o candidato. Eventualmente, se ele não for candidato, vamos passar a discutir a possibilidade de disputarmos as eleições dentro de uma coligação, apoiando outro candidato. 

Jornal de Domingo – Um partido que ficou mais de 20 anos no poder não tem outro  nome se o André não sair, não há substituto. Falhou a estratégia? 

Junior Mochi – Eu nem diria isso. Olhando o quadro, dentre os nomes que hoje disputam o processo eleitoral e que colocam o nome à apreciação da sociedade, mesmo tirando o André, há o Marquinhos Trad, que participa com chances reais, conforme as pesquisas de opinião, e que estava até ontem dentro do PMDB. Nelsinho Trad também estava nessa condição. Normalmente, dizem que os grandes líderes, em determinados momentos, tomam posição que lhes interessa do ponto de vista pessoal, mudando de partido para ter uma melhor condição na disputa. E foi isso que aconteceu com o PMDB e acontece com todos os partidos. Num determinado momento, você tem uma liderança muito forte e depois essa força faz emergir outras forças. Foi o que aconteceu com o PMDB. A força política do André nos últimos 20 anos fez o sucessor como prefeito. Como governador, a força política do PMDB se concentrou muito na figura dele e junto com ele emergiram outras lideranças, que em determinado momento resolveram procurar caminhos fora da agremiação. Respeitamos essa decisão, mas foi o que aconteceu e acontece com todos os partidos, em especial aqueles que têm lideranças muito fortes, como no caso do PMDB aqui no Estado.

Jornal de Domingo – Essa eleição, com tantas restrições de financiamento e tetos baixíssimos para os padrões dos pleitos passados, muda o quê na política nacional? E local?

Junior Mochi – Muda muito. Acho que temos algumas mudanças significativas e aqueles que não percebem isso correm sérios riscos de vencerem a eleição e não tomarem posse ou, se tomarem, ficarem respondendo processos por muito tempo. Eu disse essa semana, na abertura do seminário dos vereadores, que é uma iniciativa da Assembleia, que o foco do nosso seminário é justamente o processo eleitoral, mostrando quais condutas poderão ser criminalizadas, como poderemos tratar esse processo eleitoral do ponto de vista legal e entender as alterações da legislação. A legislação eleitoral teve um objetivo com essas alterações, que é fazer com que todos participem da disputa na mesma condição. Isso acontece quando se limita as despesas por candidatura. Além disso, quando se limita a participação e doação de recursos das pessoas jurídicas, faz-se com que haja uma redução drástica de recursos nas campanhas eleitorais, porque o cidadão, como pessoa física, tem um limite de contribuição, que vai até 10% do seu faturamento bruto em relação ao ano anterior, e para se ter pelo menos uma parte do que se teria de despesa das campanhas anteriores, seriam necessários 30, 40, 50 doadores, porque as pessoas físicas têm faturamentos pequenos normalmente. Quem tem grandes faturamentos são pessoas jurídicas. Assim, essa limitação muda e muito, porque é uma redução dos custos de campanha. Isso faz com que as oportunidades de acesso sejam niveladas, mas os candidatos têm de entender que com essa mudança eles também tem de mudar, ter uma postura diferenciada, botar o pé no chão, andar, olhar no olho do eleitor, ter suas propostas de forma clara e conseguir vencer o projeto eleitoral em função de sua credibilidade pessoal e em função, acima de tudo, dos compromissos que assume. 


Jornal de Domingo – A Assembleia funcionará “meia boca” durante a disputa política?

Junior Mochi – A Assembleia funcionará do mesmo jeito. Tive reunião com os deputados e alertei àqueles que são candidatos e que não quiserem vir nas seções, que terão faltas quando não tiverem justificativa plausível, porque vamos cumprir o regimento. Eu tenho orientado que, no período eleitoral, aqueles que entendem as dificuldades de vir, que peçam licença e possam fazer a sua campanha, deixando o suplente assumir durante o período. A Assembleia vai funcionar normalmente, da mesma forma que  vem funcionando até agora.


Jornal de Domingo – O país melhorará após o impeachment definitivo?

Junior Mochi – Com certeza. Porque o governo provisório não consegue fazer planejamento a médio e longo prazo, porque muitas das ações e do planejamento que ele faz depende de execução. Então quando se tem um governo, ele segue um viés da política econômica, das políticas sociais. E é preciso que isso seja implementado. Enquanto o governo está na transitoriedade, muitas das ações acabam não acontecendo. De modo que precisamos resolver isso de uma vez, para que possamos ter planejamento de médio e longo prazo, para conseguir tirar o Brasil da situação em que se encontra.

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