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Opinião

Compulsão alimentar e o comer emocional

03 abril 2018 - 18h06Sálua Omais

Todos nós comemos muito de vez em quando. O problema é quando se perde o controle. Muitas pessoas comem até o ponto de sentir um desconforto físico, e, posteriormente, acabam acumulando sentimentos de culpa, vergonha, impotência e arrependimento, levando a uma onda de mais ansiedade ou de tristeza, que alimenta um ciclo constante, no qual esses mesmos sentimentos levam a pessoa a extravasar novamente suas angústias na comida. Quanto pior ela se sente em relação a si mesma e a sua aparência, mais usará a comida para lidar com isso. Um ciclo vicioso cuja dinâmica é: comer para se sentir melhor, sentir-se ainda pior e depois voltar para a comida em busca de alívio da tristeza e da angústia.

Questões emocionais, biológicas, culturais, familiares e sociais obviamente também estão envolvidas. Baixa autoestima, solidão e insatisfação corporal, pressão social para ser magra (o), também podem contribuir para a compulsão alimentar. É preciso desenvolver um relacionamento mais saudável com a comida - um relacionamento que se baseia em atender às suas necessidades nutricionais, e não às emocionais. Muitas pessoas não comem “comida”, mas sim “emoções”, e, por essa razão nunca se sentem saciadas. Ouvir o corpo e aprender a distinguir fome física e fome emocional, é o que chamamos de comer de forma consciente. Quantas vezes as pessoas se encontram em um estado de alimentação inconsciente, sem nem mesmo perceber ou gostar do que estão consumindo? É preciso encontrar maneiras melhores de alimentar os sentimentos e lidar com emoções desagradáveis como estresse, depressão, solidão, medo e ansiedade. Quando você tem um dia ruim, pode parecer que a comida seja sua única amiga. 

A comida também não é o único elemento presente na obesidade, mas também o sedentarismo, o sono insuficiente, fatores psicológicos, físicos, entre outros. Aliás, viver sobrecarregado, cansado e estressado é um ótimo gatilho para comer. Sem o tempo ideal de sono necessário, o corpo também acaba “pedindo” alimentos açucarados que proporcionem um rápido aumento de energia. Buscar as mais diversas desculpas para não fazer atividades físicas, sobretudo a tão conhecida “falta de tempo”, só piora a situação, aumentando não só a vontade de comer, como também reduzindo o nível de energia, vitalidade e de humor. 

O ciclo da compulsão alimentar é possível de ser quebrado, com alguns tratamentos, e é claro, também, com esforço e força de vontade. Toda compulsão, tem como característica, a gratificação imediata, a qual é justamente o oposto do “saber esperar”, ou, do autocontrole. Aliás, é importante lembrar também que “comer demais” acomete não apenas pessoas obesas, mas os magros também. Aprender a resistir à privação, e adiar aquilo que se deseja, tem se tornado um desafio cada vez maior em épocas onde o imediatismo e a velocidade tem sido cada vez mais presente em tudo que fazemos. Desacelerar, saber esperar, persistir em um objetivo e lidar com a privação das coisas boas da vida, infelizmente nem sempre é suportado por todos, mas são essas são algumas das atitudes que fazem a diferença quando alguém realmente deseja fazer uma mudança de hábitos mais duradoura.

Como diz o famoso ditado: “No pain, no gain” (Sem dor, sem ganho). A vida é feita de dores e prazeres, e a felicidade mais verdadeira que o ser humano pode sentir, é aquela onde seja possível equilibrar satisfação e privação na dose certa, um misto de alegria, autocontrole e autoresponsabilidade. Ao mesmo tempo, nunca é tarde para se livrar do desânimo e do pessimismo, e buscar os meios necessários para mudar esse que é um dos hábitos e necessidades mais arraigados no ser humano: o ato de comer. 

Sálua Omais é Psicóloga e Advogada com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva, Neurossemântica e PNL. É titular do site www.psicotrainer.com.br onde escreve artigos diversos sobre Psicologia Positiva, Coaching e Inteligência Emocional.

 

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