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Estudante de 21 anos poderá ser 1º turista espacial brasileiro

11 junho 2013 - 10h48Via Terra
Um palpite bem-sucedido garantiu a um estudante brasileiro um lugar na história espacial. Pedro Henrique Doria Nehme, 21 anos, venceu a promoção da companhia aérea KLM ao se aproximar das coordenadas de latitude, longitude e de maior altitude atingida por um balão solto no deserto de Nevada, nos Estados Unidos. O prêmio: um lugar na nave Lynx Mark II, da Space Expedition Corporation, empresa que espera realizar os primeiros voos comerciais ao espaço no próximo ano.

Com o acerto, que ele atribui à sorte e ao conhecimento na área - como aluno de Engenharia Elétrica na Universidade de Brasília e estagiário na Agência Espacial Brasileira (AEB) -, Nehme chega perto de alcançar três marcas significativas: o segundo brasileiro a visitar o espaço, o primeiro civil do país a cruzar a atmosfera e um dos precursores do turismo espacial. Elas dependem ainda da data exata da viagem, que deve ocorrer em 2015.

Se Nehme tivesse que arcar com os custos da passagem, sua aventura não seria barata. A nave que o levará ao espaço comporta apenas um piloto e um copiloto. Ou seja, o turista espacial, nesse caso, após passar por um treinamento com diversas simulações, divide com o astronauta-piloto a cabine de comando. Dali, uma vista com 4 metros de largura se descortina diante dos olhos do participante. O preço: R$ 200 mil, aproximadamente.

O valor alto não impediu que muitas pessoas comprassem passagem para os voos pioneiros, inclusive brasileiros. A maioria opta pelo anonimato, talvez em função do investimento elevado. Rubens Barrichello, ex-piloto de Fórmula 1 e atualmente na Stock Car, teria desembolsado mais de R$ 400 mil em 2009 para reservar lugar em programa da Virgin Galactic, então patrocinadora de sua equipe.

Em alguns anos, porém, a tendência é que as viagens espaciais se tornem tão comuns quanto voos entre países distantes, por exemplo. Para Nehme, o turismo espacial é uma vertente da democratização do acesso ao espaço. “Fico contente por esse processo estar dando certo e existirem diversas empresas que estão desenvolvendo veículos para facilitar e baratear o lançamento de satélites”, diz.

Ele espera que o Brasil aproveite a oportunidade para desenvolver projetos nas universidades, permitindo aos estudantes construir, testar, lançar e rastrear seus próprios satélites. Também defende uma mudança de mentalidade com relação ao segmento aeroespacial. “Uma empresa brasileira poderia estar realizando voos suborbitais e colocando em órbita os satélites brasileiros”, avalia.

Voo suborbital
O voo que levará Nehme ao espaço será suborbital, ou seja, cruzará a atmosfera com mudança gravitacional, mas sem atingir a órbita. Com duração estimada em uma hora, a aventura a bordo da Lynx Mark II deve alcançar 103 quilômetros de altitude, em velocidade três vezes superior à do som (mais de 3,5 mil km/h).

Com a experiência, o estudante brasileiro espera mudar a visão do segmento aeroespacial brasileiro. “É extremamente importante um investimento maior no setor, para que a sociedade possa sentir todos os benefícios”, afirma. Já sobre ter seu nome gravado na história, ele diz que se trata de uma grande responsabilidade e que “a ficha ainda está caindo”.

Carga útil
Como estagiário da AEB, ele desenvolve uma carga útil (CanSat) com aplicações em sensoriamento remoto e meteorologia. É um projeto que busca construir uma plataforma de baixo custo para imageamento terrestre a altitudes elevadas. Também permite a redução de custo de sondas meteorológicas e testes de componentes utilizados em pequenos satélites.

Apesar da ligação com a área espacial e de seu trabalho na AEB, Nehme não alimenta expectativa quanto a se tornar um astronauta no futuro. Segundo ele, com os atuais números do programa espacial brasileiro, não existe espaço para o desenvolvimento de formação de astronautas. “É só comparar o investimento que o Brasil faz no setor com o de outros países, como Rússia, China e Índia”, conclui.
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