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Turismo

Para visita do Papa, aluguel de quarto de casa chega a R$ 500

26 abril 2013 - 12h20Tássia Thum/G1

Isolado dos grandes centros e desconhecido por muitos cariocas, Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, se tornou a "terra prometida", para muitos moradores, após o anúncio da visita do Papa Francisco. Na ausência de hotéis e pousadas para receber os 2,5 milhões de peregrinos esperados para a missa, habitantes da região abrem os quartos de suas casas e cobram até R$ 500 por uma noite de hospedagem durante a Jornada Mundial da Juventude.

A três meses do evento, que acontece de 23 a 28 de julho, os moradores do bairro anunciam os modestos aposentos em classificados na internet. O valor cobrado corresponde ao preço do aluguel mensal de um imóvel na região ou da diária em um hotel na Praia de Copacabana, fora de temporada.

A distância do Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio de Janeiro até o espaço onde acontecerá a jornada, no bairro de Guaratiba, é de cerca de 70 km. Do Riocentro, localizado em Jacarepaguá, são aproximadamente 30 km até o local do evento.

A expectativa de quem vive em Guaratiba é que a vinda do Papa traga asfalto para as ruas de terra batida, além de hospitais e infraestrutura para um dos bairros mais pobres do município. No Censo de 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Guaratiba ocupou a 118ª colocação entre 126 áreas no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Fama repentina
Moradora há cinco anos de Sepetiba, área vizinha a Guaratiba, a professora aposentada Irani Bloomfield nunca imaginou que a região ficaria um dia internacionalmente conhecida.

Para complementar a renda, ela resolveu alugar o quarto vazio de sua casa, cobrando R$ 100 por pessoa. Com um beliche e um colchão inflável, além de um banheiro com chuveiro e água quente, ela diz que o quarto acomoda até cinco pessoas, o que pode render R$ 500.

"Acho que este espaço na minha casa será muito concorrido. Aqui não tem locais para comportar a multidão que está sendo esperada. Apesar de ser aguardado um público jovem, muitos idosos vão assistir à missa do Papa e querem conforto. Eles não vão se sujeitar a dormir ao relento, ou passar frio, por isso estou cobrando este preço", explicou Irani, que com o dinheiro arrecadado pretende reformar o imóvel.

Também contrariando a organização do evento, que pede aos moradores que abram suas casas gratuitamente aos peregrinos, a técnica em logística Sônia Amaral vai alugar por temporada a casa de quarto e sala vazia, na Estrada do Magarça, em Campo Grande, bairro próximo a Guaratiba. Antes o aluguel era mensal. Com o evento, a cobrança será por diárias.

"Anunciei a minha casa por R$ 150 a diária, mas acho que próximo à Jornada Mundial da Juventude, poderei aumentar até para R$ 200. Esse valor já é o dobro do que o cobrado normalmente na região", disse Susana.

Evangélicos x católicos
Em sua primeira viagem, o papa argentino vai à cidade que tem o menor percentual de católicos do país. De acordo com o Censo do IBGE, em 2010, o Rio de Janeiro tem 45,8% da população declaradamente católica. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas, de 2000, aponta Guaratiba como um dos 11 bairros onde a proporção de evangélicos é maior que a de católicos.

Próximo ao Campus Fidei, na Estrada da Capoeira Grande, onde será celebrada a vigília e a missa papal, pastores regem cultos nos diversos templos que ocupam a região. Apesar do crescimento do nicho gospel, uma das primeiras igrejas católicas do Rio, a Nossa Senhora do Desterro, construída em 1629, fica em Pedra de Guaratiba, área vizinha da região.

O tráfego de caminhões alterou a rotina pacata do bairro. Desde o início do ano, máquinas trabalham na terraplanagem dos 3,5 milhões de metros quadrados do terreno. Um palco de 110 metros será construído para a apresentação do pontífice.

Moradores reclamam que apenas a principal via do bairro, a Estrada da Matriz, foi asfaltada para facilitar o deslocamento de veículos pesados. Na via, não há calçadas e os pontos de ônibus ficam no barro e na lama.

Peregrinação
A organização da Jornada Mundial da Juventude estimula o uso do transporte público, como o ônibus do sistema BRT e o trem. Os acessos ao Campus Fidei serão por Santa Cruz, Campo Grande e Recreio. Utilizando qualquer um dos transportes, os peregrinos terão que andar a pé cerca de 13 quilômetros.

A Rio Eventos, empresa da Prefeitura do Rio responsável pela JMJ, informou que no BRT, os fiéis terão que descer obrigatoriamente na estação Notre Dame. No período, ruas serão interditadas, as vias serão restritas aos pedestres e serão criados bolsões exclusivos para o estacionamento de ônibus fretados.

Via G1

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