Quem nunca se deparou com a famosa pergunta: Qual foi o seu principal arrependimento? Essa pergunta pode ter vários caminhos para uma autoanálise, mas o caminho que eu quero trazer para refletirmos aqui é com relação à educação financeira. E nesse quesito eu posso garantir como educador financeiro que a resposta sobre o principal arrependimento é unânime: Por que eu não aprendi isso antes?!

Porém, para entendermos o porquê dessa unanimidade nós precisamos compreender o que significa verdadeiramente a educação financeira. E para isso vou me valer das nossas aulas de gramática lá do ensino fundamental. Observe como tudo ficará mais simples e trará mais significado para a nossa reflexão.

A palavra educação tem sua origem em uma expressão latina composta de duas partes, sendo a primeira parte ex (que significa “para fora”) e a segunda parte ducere (que significa “conduzir” ou “guiar”), portanto, ex-ducere significa conduzir para fora a nossa identidade, ou em termos metafóricos mais modernos, tomar a pílula vermelha e sair da Matrix (red pill)[1].

E agora que firmamos um entendimento de educação, ficará mais fácil entendermos o que é realmente a educação financeira; que nada mais é do que um caminho para nos conduzir à liberdade, por meio das finanças. E é justamente por isso que as pessoas que aprenderam sobre educação financeira se arrependem de não terem acessado esse conhecimento antes.

Ora, nesse mundo moderno onde as moradias são cada vez menores[2], onde quase não se tem tempo para preparar a própria comida, onde as reuniões familiares são restritas a datas comemorativas e onde as aparências das mídias sociais estão adoecendo mentalmente cada vez mais cedo as pessoas[3], é muito valioso adquirir um conhecimento que nos proporcione se “libertar” de certas escravidões modernas.

E de fato, infelizmente acabamos nos tornando escravos de dívidas sem essa base de educação financeira, e não conseguimos sair das faturas do cartão de crédito, dos empréstimos e dos financiamentos. Fato esse que acaba nos levando a trabalhar cada vez mais para pagar dívidas que se tornam impagáveis por conta da cultura do consumismo e também pelo fato das taxas de juros, no Brasil, serem muito altas.

Logo, a ideia do porquê de eu não ter aprendido educação financeira antes está muito mais ligada à possibilidade de ter liberdade para tomar certas decisões pessoais do que ao simples acúmulo excessivo de dinheiro. Com isso, ao evitarmos nos endividar por consumismo e tomarmos decisões financeiras sábias como sempre viver um padrão de vida menor do que nossa renda, teremos a possibilidade de construir uma reserva de emergência, multiplicar nosso dinheiro conquistado e finalmente ter paz financeira para dedicar tempo ao que importa.



[1] "Sair da Matrix" é uma metáfora popularizada pelo filme The Matrix (1999) que representa o ato de assumir o controle da própria consciência

[2] https://jornal.usp.br/radio-usp/o-encolhimento-dos-lares-imoveis-menores-dominam-o-mercado-brasileiro/

[3] https://agencia.fiocruz.br/jovens-sofrem-mais-internacoes-e-procuram-menos-ajuda-em-saude-mental