Política
Envolvido no escândalo do Master, Motta quer comprovar a legalidade das emendas questionadas pelo STF
Presidente da Casa afirma que execução dos recursos seguiu a lei após decisão de Flávio Dino
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a Casa irá demonstrar ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a execução das emendas parlamentares ocorreu dentro da legalidade. A declaração foi feita nesta terça-feira (14), após o ministro Flávio Dino determinar o envio de documentos sobre a tramitação das emendas investigadas pela Polícia Federal.
"Nós temos a convicção de que a Câmara está cumprindo a lei acerca da aplicabilidade e da execução das emendas de comissão. Nós vamos demonstrar isso nesse processo", declarou Motta.
Na decisão, Flávio Dino deu prazo de dez dias para que a Câmara encaminhe toda a documentação referente às emendas citadas pela Polícia Federal, organizada de forma individualizada.
A investigação aponta indícios de que políticos sem mandato teriam influenciado a destinação de recursos das emendas parlamentares. No mesmo despacho, o ministro determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens do ex-deputado federal Eduardo Cunha e de R$ 119 milhões em bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Hugo Motta afirmou ainda que está em diálogo com lideranças e órgãos técnicos da Câmara e que a resposta ao STF será apresentada dentro do prazo estabelecido.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, passou a ser citado nas investigações do chamado Caso Master após a quebra do sigilo de documentos da Polícia Federal. As apurações apontam que o parlamentar trocou mensagens com o empresário Daniel Vorcaro pedindo a liberação de um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões para uma empresa da cunhada. Os investigadores também registraram que Motta viajou para Portugal em um jato de Vorcaro e teve despesas de hospedagem pagas pelo empresário em 2024.
A investigação também aponta que uma emenda incluída em um projeto de lei previa obrigar seguradoras a aplicar parte das reservas técnicas na compra de créditos de carbono, medida que, segundo a PF, poderia beneficiar interesses ligados ao Banco Master. O STF derrubou a regra por unanimidade. Motta afirma que, à época, não havia conhecimento de irregularidades envolvendo Vorcaro.