A Procuradoria-Geral da República (PGR) será a próxima responsável por decidir o futuro das investigações da Operação Sem Desconto. Após a Polícia Federal concluir o primeiro inquérito e encaminhar o relatório final ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), caberá ao órgão avaliar se apresentará denúncia contra os 48 investigados ou se pedirá novas diligências antes de uma decisão.

O relatório da PF aponta o indiciamento do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, além de outras 47 pessoas. Entre os investigados também estão o ex-procurador-geral do instituto, Virgílio Antônio Ribeiro Filho, o ex-diretor de Benefícios, André Fidelis, e Antonio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".

A investigação apura um esquema de descontos associativos considerados irregulares em aposentadorias e pensões, que teria causado prejuízo estimado em R$ 6 bilhões. Segundo a Polícia Federal, Stefanutto teria recebido pagamentos para deixar de fiscalizar entidades responsáveis pelos descontos feitos diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas.

Com o relatório em mãos, o ministro André Mendonça deve encaminhar o material à PGR, que poderá apresentar denúncia, solicitar novas investigações ou até pedir o arquivamento em relação a parte dos investigados.

Em nota, a defesa de Alessandro Stefanutto informou que pedirá ao STF a revogação da prisão preventiva. Os advogados alegam que, após mais de um ano de investigação, não foram encontrados valores ilícitos ligados ao ex-presidente do INSS e afirmam que o relatório da PF deixou de considerar provas que, segundo eles, reforçam sua inocência. A defesa também destaca que o indiciamento não representa condenação e que caberá à PGR analisar as provas antes de decidir sobre uma eventual denúncia.