Menos de duas semanas após a Operação Antidotum, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a nova gestão da Santa Casa de Campo Grande que assume a partir de 28 de setembro, começou a revisar a situação financeira e os contratos do hospital. Apresentados nesta quarta-feira (23), o presidente Heitor Rodrigues Freire e o superintendente executivo Luiz Alberto Hiroki Kanamura afirmaram que a prioridade será manter os atendimentos, reorganizar as contas e ampliar a transparência.

A mudança ocorre após a operação que levou à prisão da então presidente da Santa Casa, Alir Terra, além de outros integrantes da administração. A investigação apura suspeitas de fraudes e desvios que já passam de R$ 4,9 milhões. Alir renunciou à presidência e Heitor, que já comandou a instituição anteriormente, assumiu o cargo até 31 de dezembro de 2028.

Segundo Heitor, o mandato não é novo, mas corresponde ao período para o qual a diretoria já havia sido eleita. Com a saída da antiga presidente, ele assume a função para completar o mandato. Apesar da crise, o novo presidente disse que ainda é cedo para anunciar mudanças profundas ou antecipar quais contratos poderão ser alterados.

“É muita coisa que está certa e que precisa continuar. A nossa prioridade é o paciente. Esse é o ponto. Então, vamos trabalhar naturalmente, fazendo o nosso trabalho. As situações vão acontecendo e nós estamos prontos, juntamente com o doutor Kanamura, para desenvolver e resolver”, afirmou.

Associado à Santa Casa há 33 anos, Heitor já ocupou os cargos de presidente, vice-presidente e secretário da instituição. Para ele, a experiência acumulada será importante para enfrentar o atual momento do hospital. O dirigente classificou como inédita a crise provocada pelas investigações.

“Uma perplexidade muito grande. Nós nunca, com todas as dificuldades que já passamos na Santa Casa, tivemos uma situação como essa. Mas temos fé, confiança, força e vamos resolver”, disse.

Heitor também afirmou que a nova administração deverá manter diálogo com o Ministério Público e atender às solicitações feitas durante o acompanhamento da instituição. “O Ministério Público, nós vamos atender sempre às suas demandas. O que precisar fazer, nós estamos prontos para cumprir o nosso dever. Nós vamos cumprir a nossa obrigação”, garantiu.

Contratos serão revisados

Kanamura, que assume como superintendente executivo, informou que a nova administração já analisou parte da situação financeira do hospital. Segundo ele, as informações levantadas foram apresentadas ao Ministério Público e, por envolverem dados internos e sigilosos, não serão divulgadas pela gestão neste momento.

“Estamos assumindo hoje, começamos segunda-feira. Nós já revisamos a parte financeira, o que está parado, e isso já foi apresentado ao Ministério Público. A decisão de isso ser externado ou não é dele. Não vou colocar isso publicamente porque são dados internos, sigilosos”, explicou.

A próxima etapa deverá atingir os contratos de prestadores de serviços. Kanamura afirmou que os documentos serão revisados e que a intenção é fazer com que as informações disponíveis no Portal da Transparência correspondam efetivamente à realidade dos contratos mantidos pela Santa Casa.

“Tudo que for pactuado entre nós, município e Estado, daqui para frente, vai ser publicitado. O contrato dos prestadores de serviços da casa vai ser revisado no Portal da Transparência, ele vai ser efetivamente real”, afirmou.

O superintendente também terá participação direta nas decisões administrativas. Conforme explicou, as definições serão tomadas em conjunto com a diretoria. Entre as primeiras medidas está a elaboração de um planejamento orçamentário, que deve ficar pronto em aproximadamente 15 dias e contemplar tanto as despesas emergenciais para manter o hospital funcionando quanto o passivo acumulado.

Kanamura trabalha na Santa Casa há 35 anos na instituição e, antes disso, fez quatro anos de residência no hospital. Ao longo da carreira, passou por funções como chefe do pronto-socorro, das residências de cirurgia geral e CTI, chefe do CTI, vice-diretor clínico, diretor clínico, diretor técnico e superintendente.

“Acredito que conheço bem. Continuo trabalhando aqui, então a grande maioria dos problemas eu ainda conheço. A ideia é que, junto com os nossos colaboradores e com os poderes que citamos, se construa um mínimo de alicerce para que o hospital não continue passando por essa dificuldade. E não é só financeira. Temos dificuldade de credibilidade, dificuldade para que a sociedade confie”, afirmou.