Muitos pais dedicam uma vida inteira de sacrifícios com um objetivo claro: deixar um patrimônio sólido para os filhos. No entanto, deixar heranças materiais sem o aprendizado de como se adquire e se mantém a riqueza é como entregar um carro de última geração, sem o volante, no meio da estrada para que os filhos dirijam. Não vai dar certo!

 A história está repleta de exemplos que confirmam essa fragilidade. Dados do **Certified Financial Planner (CFP) Board of Standards**, nos Estados Unidos, apontam uma estatística alarmante: de cada três ganhadores de loteria, um declara falência em poucos anos após receber o prêmio. O fenômeno se repete no Brasil e muitas celebridades que ganharam fortunas, hoje moram de favor, como é o caso de Manoel Gomes, o intérprete do hit Caneta Azul voltam. O motivo? O patrimônio, por maior que seja, é limitado e vai acabar se a pessoa não compreender a mecânica da criação de patrimônio

 Mas e agora? O que fazer? Bom, para oferecer segurança real a um filho, precisamos primeiro desconstruir a ideia de que o trabalho é apenas uma ferramenta de remuneração. O trabalho está profundamente ligado ao sentido da própria existência e à função que cada indivíduo exerce na sociedade.

Quando ensinamos um filho a trabalhar, não podemos ensina-lo a "sofrer para ganhar dinheiro", mas sim a descobrir seus talentos para servir ao próximo. Digo isso porque em uma sociedade, todo talento que serve ao próximo gera valor e pode ser remunerado. Uma vez compreendido isso é necessário ensinar aos filhos que nossa remuneração pode ser acumulada em forma de patrimônio e se transformar em um ativo (empresas, propriedades rurais produtivas, sociedades em outras empresas) que vai gerar mais remuneração se assim o desejarmos.

 Portanto, a melhor segurança que se pode dar a um filho e neto não é um saldo bancário vultoso, mas o domínio de competências essenciais de trabalho, valor e construção de ativos. 

 É como aquele ditado popular: Não adianta entregar o "peixe", se o filho não tiver a habilidade de saber "pescar".

 Logo, ao ensinarmos a importância do trabalho e a responsabilidade de gerir o que foi conquistado, estamos garantindo que a riqueza seja ela financeira, intelectual ou espiritual se perpetue. No fim das contas, o maior patrimônio que deixamos não é o que fica na conta corrente, mas o que plantamos no caráter e na mente daqueles que continuarão nossa história.

 Claudio Ramos - Pai do Israel e da Débora, administrador por formação, apaixonado por educação financeira, casado com a Patrícia e investidor desde os 13 anos