Segunda no Azul
Panorama semanal com análises e os principais destaques da economia.
Segunda no Azul
O seu dinheiro é de papel?
Você já teve a sensação de que, mesmo ganhando um pouco mais ao longo dos anos, o seu carrinho de supermercado parece cada vez mais vazio? Não é apenas uma impressão. Essa "ressaca" que sentimos ao pagar a conta de luz, o condomínio ou ao abastecer o carro tem um nome que todos conhecemos, mas poucos entendem como combater: inflação.
Infelizmente, muitos acreditam que a segurança financeira vem apenas de "ganhar mais dinheiro". No entanto, se você guarda dinheiro debaixo do colchão ou em contas que não rendem acima da inflação, você não está poupando; está perdendo poder de compra e tempo de vida — que foi exatamente o que você trocou para ganhar esse dinheiro.Para termos uma dimensão real dessa perda, basta olharmos para o histórico da nossa moeda: o Real. Segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desde o seu lançamento em 1994, o Real já perdeu mais de 88% do seu valor. Ou seja, o que você adquiria com R$ 100,00 em 1994, hoje, em 2026, exige aproximadamente R$ 830,00 para ser comprado. É por isso que os preços no mercado e as faturas de energia parecem "explodir". E sejamos francos: raramente o salário médio do brasileiro cresce nessa mesma proporção.
E essa perda de valor é acelerada por eventos geopolíticos que parecem distantes, mas batem à nossa porta diariamente. Os conflitos na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio não são apenas manchetes; são o motor da alta nos preços globais de energia e petróleo. Quando o barril do petróleo sobe devido às guerras, o efeito em cascata é implacável: o combustível encarece nas bombas, elevando imediatamente o custo do frete. Como quase tudo o que consumimos no Brasil viaja sobre rodas, esse aumento no transporte encarece mercadorias e serviços. Essa é a prova real de que o cenário global afeta diretamente a dignidade do nosso prato de comida.
Mas Como sair dessa armadilha? A resposta está na construção de ativos. De forma simples, um ativo é tudo aquilo que coloca dinheiro no seu bolso. São sementes que você planta hoje para colher frutos amanhã, como imóveis que geram aluguel, participações em negócios ou investimentos que rendem acima da inflação. O ativo é o seu exército pessoal trabalhando por você.
Pensemos em um exemplo prático: em 1994, no lançamento do Plano Real, uma cota do fundo imobiliário EURO11 custava R$ 100,00. Se você tivesse adquirido essa única cota e reinvestido seus proventos, hoje você teria um patrimônio acumulado de aproximadamente R$ 3.100,00, recebendo em torno de R$ 16,20 de lucro de aluguéis todos os meses na sua conta. Enquanto a nota de cem reais "parada" derreteu, o ativo multiplicou.
Ou seja, a construção de ativos reais é a principal forma de se proteger da inflação — seja ela causada por desajustes internos ou por guerras externas. Enquanto o dinheiro "papel" perde substância ao longo do tempo, os ativos tendem a acompanhar ou superar o aumento de preços, preservando o seu patrimônio.
Então, na próxima vez que você for ao mercado e se assustar com os preços, lembre-se: a solução não está apenas em ganhar mais papel, mas em transformar esse papel em ativos que trabalhem para você.
Pense nisso!