O percentual de famílias brasileiras endividadas voltou a bater recorde e chegou a 82% em julho de 2026, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira (6) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice representa alta de 0,4 ponto percentual em relação a junho e é o sexto recorde consecutivo da série histórica.

Apesar do aumento do endividamento, a inadimplência teve leve queda, passando de 29,9% para 29,8%, reflexo, em parte, dos primeiros meses do programa Desenrola 2.0. Ainda assim, cresce a preocupação com o comprometimento da renda das famílias. Em julho, 19% dos consumidores destinaram mais da metade da renda mensal para o pagamento de dívidas, o maior percentual desde março.

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário exige atenção. "Completar seis meses seguidos de novos níveis recordes negativos no endividamento da população tem impactos que são sentidos em curto e médio prazo, não só no comércio", afirmou.

O levantamento também mostra que as famílias de menor renda seguem sendo as mais afetadas. Entre quem recebe até três salários mínimos, o percentual de endividados atingiu 84,9%, enquanto a parcela com contas em atraso subiu para 38,5%. Já entre as famílias de maior renda, embora o endividamento tenha aumentado, a inadimplência continuou em queda.