Educação
Ensino em tempo integral cresce em MS, mas jornada ampliada ainda se concentra no ensino fundamental
Dados preliminares do Censo Escolar 2026 apontam 104,5 mil matrículas em tempo integral no Estado, cerca de 10 mil a mais que no levantamento anterior
A educação em tempo integral avançou em Mato Grosso do Sul, mas a ampliação da jornada escolar ainda ocorre de forma desigual entre as etapas da educação básica. Dados preliminares do Censo Escolar 2026 apontam 104.569 matrículas em tempo integral no Estado, aproximadamente 10 mil a mais do que o registrado no levantamento de 2025.
No Censo Escolar 2025, divulgado em fevereiro deste ano, Mato Grosso do Sul contabilizava cerca de 94,6 mil estudantes matriculados em escolas públicas com jornada ampliada. O crescimento registrado nos dados preliminares de 2026 mostra a expansão da modalidade, principalmente no ensino fundamental.
O levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) permite observar a distribuição das matrículas entre o ensino parcial e integral nas diferentes etapas da educação básica.
Em Campo Grande, por exemplo, a maior presença da jornada ampliada está nos anos finais do ensino fundamental da rede estadual. Dos 12.039 estudantes matriculados nessa etapa, 6.485 frequentam escolas em tempo integral, o equivalente a mais da metade das matrículas.
Nos anos iniciais do ensino fundamental estadual, são 1.274 alunos em jornada ampliada entre 1.902 matrículas.
Em Dourados, o cenário também mostra maior concentração do tempo integral nos anos finais do fundamental. A rede estadual registra 1.583 estudantes em jornada ampliada entre 7.304 matrículas nessa etapa. Nos anos iniciais, são 359 alunos em tempo integral.
Ensino médio também amplia oferta
A jornada ampliada também está presente no ensino médio, principalmente na rede estadual. Em Campo Grande, dos 27.041 estudantes matriculados no ensino médio estadual, 6.195 estão em tempo integral.
Em Dourados, são 814 alunos matriculados nessa modalidade entre um total de 6.964 estudantes do ensino médio estadual.
Embora a participação do tempo integral seja menor nessa etapa em comparação com alguns segmentos do ensino fundamental, os números mostram que a modalidade também vem sendo incorporada ao ensino médio da rede pública.
Educação infantil tem perfil diferente
Na educação infantil, a distribuição das matrículas em tempo integral apresenta um cenário diferente. A maior parte das vagas está sob responsabilidade das redes municipais, que concentram a oferta de creches e pré-escolas.
Em Campo Grande, a rede municipal possui 13.636 crianças matriculadas em creches, todas registradas como estudantes em tempo integral no levantamento preliminar. Já na pré-escola são 16.650 matrículas, das quais 397 estão em jornada ampliada.
A diferença entre as etapas está relacionada também à divisão de responsabilidades prevista para a educação básica. Os municípios concentram a oferta da educação infantil e têm participação importante nos anos iniciais do ensino fundamental, enquanto os estados possuem maior presença nos anos finais e no ensino médio.
Política de expansão
O crescimento das matrículas acompanha políticas públicas de incentivo à ampliação da jornada escolar. Entre elas está o Programa Escola em Tempo Integral, criado pelo Ministério da Educação (MEC) para apoiar estados e municípios na criação de novas matrículas com jornada igual ou superior a sete horas diárias.
Em Mato Grosso do Sul, a Secretaria Estadual de Educação afirma que a rede estadual ampliou a oferta de escolas com jornada integral nos últimos anos. Atualmente, segundo a pasta, há turmas da modalidade disponíveis em todos os municípios do Estado para estudantes interessados.
A proposta do ensino em tempo integral não se limita ao aumento do período de permanência dos alunos na escola. A ampliação da jornada envolve também a oferta de atividades pedagógicas e formativas ao longo do dia, com o objetivo de diversificar as experiências educacionais dos estudantes.
Os dados do Censo Escolar são atualizados anualmente pelo Inep e reúnem informações sobre escolas, professores, turmas e alunos de todas as etapas da educação básica. O levantamento é utilizado para acompanhar a realidade da educação brasileira e serve de base para o planejamento de políticas públicas, programas educacionais e distribuição de recursos.