EUA
Condenada à morte, americana sobreviveu à injeção letal e volta a caminhar após tentativa de execução
Christa Pike, de 50 anos, apresenta confusão mental e ferimentos nos braços após tentativa de execução no Tennessee
Christa Pike, de 50 anos, condenada à morte nos Estados Unidos, já consegue se levantar e caminhar pelo quarto do hospital onde está internada após sobreviver a uma tentativa de execução por injeção letal. A informação foi divulgada pela defesa, que acompanha a recuperação da mulher após o procedimento realizado em 30 de setembro, no estado do Tennessee.
Segundo o advogado Stephen Ferrell, ela ainda apresenta confusão mental e dificuldades físicas, principalmente nos braços, que estão bastante machucados. Em entrevista à BBC, ele afirmou que ainda não é possível determinar se a condenada terá sequelas permanentes. Nos primeiros dias após o episódio, a defesa já havia informado que ela estava acordada e conseguia falar.
Pike teria sido a única pessoa de que se tem notícia a sobreviver a uma tentativa de execução por injeção letal nos Estados Unidos. O procedimento foi interrompido após duas doses dos medicamentos utilizados na execução, mas as circunstâncias que levaram à falha ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades.
Crime foi cometido em 1995
Christa Pike foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, cometido em 1995, quando tinha 18 anos. O crime aconteceu em um acampamento de treinamento profissional destinado a adolescentes com problemas de comportamento.
Na época, Pike contou com a ajuda do namorado, Tadaryl Shipp, que tinha 17 anos. Os dois espancaram e torturaram Slemmer antes de matá-la. Shipp permanece preso.
O caso voltou ao centro das atenções após a tentativa frustrada de execução, que levantou questionamentos sobre os procedimentos adotados pelo sistema penitenciário do Tennessee e sobre a aplicação da pena de morte no estado.
Execuções foram suspensas até o fim de 2026
Após o episódio, a Justiça determinou que as autoridades preservem todas as evidências relacionadas à tentativa de execução, incluindo seringas, tubos intravenosos, embalagens e documentos referentes aos medicamentos utilizados. A ordem também exige a manutenção de registros sobre o estado psicológico de Pike antes, durante e depois do procedimento.
O governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu todas as execuções no estado até o fim de 2026 e afirmou que pretende esclarecer o que provocou a falha. O chefe do sistema prisional estadual também pediu demissão após o caso.
A defesa de Pike se opõe a uma nova tentativa de execução pelo mesmo método. Os advogados pedem que o governador transforme a pena de morte em prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Enquanto a investigação busca esclarecer o que aconteceu durante o procedimento, a recuperação de Pike continua sob acompanhamento médico. Ainda não há uma definição sobre as possíveis consequências físicas da tentativa de execução nem sobre os próximos passos em relação à sentença.