Uma delegação brasileira formada por empresários, representantes da indústria e integrantes do governo se reuniu com eurodeputados no Parlamento Europeu, em Bruxelas, na quarta-feira (14), para defender a aprovação definitiva do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Durante o encontro, que durou mais de três horas, os parlamentares também demonstraram interesse na política brasileira para minerais críticos e nas oportunidades de cooperação para a transição energética.

O jantar institucional reuniu representantes de diferentes delegações nacionais, incluindo parlamentares de Portugal, Áustria e Suécia, além de assessores legislativos. O objetivo foi estreitar relações e ampliar o diálogo sobre a implementação do tratado, que está em vigor provisório.

Na saída do encontro, o presidente da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Laudemir Müller, afirmou que a conclusão definitiva do acordo é importante para garantir previsibilidade às empresas e ampliar os investimentos entre os dois blocos.

“O que a gente quer é que esse acordo seja definitivo para que a gente tenha previsibilidade”, afirmou.

Segundo Müller, as mudanças no cenário geopolítico e as tarifas comerciais têm levado os europeus a buscar novos parceiros. Nesse contexto, ele destacou o interesse crescente pelo Brasil, especialmente por sua atuação em temas como democracia e sustentabilidade.

O dirigente também defendeu que os critérios técnicos exigidos pelo mercado europeu considerem as características produtivas brasileiras, sem comprometer os padrões de qualidade e sustentabilidade.

“Não podemos simplesmente copiar os padrões europeus no Brasil, porque a gente tem clima tropical, agricultura tropical e nossa indústria é diferente”, explicou.

Entre os pontos mencionados estão as regras sobre pegada de carbono, sustentabilidade ambiental, legislação trabalhista, exigências regulatórias e limites máximos de resíduos. Para Müller, o caminho é buscar adaptação e equivalência entre os requisitos dos dois blocos.

Minerais críticos entram na pauta

Além do comércio, a disponibilidade de minerais críticos brasileiros despertou o interesse dos deputados europeus. Os recursos são estratégicos para a fabricação de tecnologias ligadas à transição energética, como baterias, equipamentos eletrônicos e sistemas de geração de energia renovável.

Müller ressaltou que Brasil e União Europeia possuem recursos complementares: enquanto os europeus dispõem de tecnologia e capital, o Brasil tem reservas minerais que podem contribuir para o desenvolvimento dessas cadeias produtivas.

“A Europa praticamente não tem reservas de minerais críticos, mas tem recurso e tecnologia. Nós temos a oferta de minerais críticos e precisamos de recurso e tecnologia porque queremos industrializar no Brasil”, afirmou.

A discussão também abre espaço para o debate sobre investimentos capazes de agregar valor aos recursos naturais brasileiros, com o desenvolvimento de atividades industriais no próprio país.

Empresários veem oportunidades de investimento

Empresários e representantes do setor produtivo brasileiro que participaram do jantar avaliaram positivamente a recepção dos parlamentares europeus. Segundo relatos de integrantes da delegação, houve interesse em compreender como o acordo poderá funcionar na prática, quais setores do Mercosul serão beneficiados e quais oportunidades estarão disponíveis para empresas europeias.

Apesar do avanço de medidas protecionistas na União Europeia nos últimos anos, representantes da indústria brasileira avaliam que o tratado pode ampliar as possibilidades comerciais e fortalecer as relações econômicas entre os blocos.

A busca por parceiros que ofereçam estabilidade institucional e segurança jurídica também foi apontada como um fator relevante nas discussões, em meio às mudanças nas relações comerciais internacionais.

A delegação brasileira continua os trabalhos técnicos em Bruxelas, com a elaboração de estratégias para ampliar o acesso a mercados e identificar oportunidades em diferentes setores da economia. A iniciativa inclui segmentos afetados pelo aumento de tarifas adotado pelos Estados Unidos, que buscam alternativas para diversificar destinos de exportação e reduzir a dependência de mercados específicos.