Tribunal do Júri
'Estava em hora errada e lugar errado', diz réu em julgamento por assassinato de idoso
Acusado nega envolvimento na morte de Emílio de Souza e reforça tese de inocência diante dos jurados
O réu João Vitor Pereira Ribeiro, de 22 anos, negou qualquer participação no assassinato de Emílio de Souza, de 61 anos, durante sessão do Tribunal do Júri realizada nesta quarta-feira (17), em Campo Grande.
Diante dos jurados, João Vitor afirmou que foi preso na fase investigativa do caso, mas insistiu na inocência e tentou se desvincular do crime. “Eu estava em hora errada e lugar errado”, declarou o réu, ao relembrar o motivo de sua prisão no decorrer das investigações.
Em outro momento de sua manifestação, ele reforçou a negativa de envolvimento no homicídio. “Não tive participação, não sabia, não tinha ciência de nada... Quem sou eu para tirar a vida de alguém”, disse João Vitor, ao solicitar sua absolvição ao Conselho de Sentença.
O crime ocorreu em 8 de fevereiro de 2025, mas o corpo da vítima só foi localizado três dias depois, em 11 de fevereiro, em uma residência no bairro Mata do Jacinto, em Campo Grande.
No mesmo processo, também responde como réu Maurício de Castro Velasquez, de 30 anos, que ainda não foi submetido ao júri. A sessão em relação a ele foi adiada em razão de recurso em trâmite no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).
Acusação aponta “acerto de contas”
A acusação, oferecida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), sustenta que a vítima foi morta pela dupla com evidente superioridade numérica, tendo sido enforcada.
Em seguida, segundo a denúncia, os acusados tentaram destruir e ocultar o cadáver, cobriram o corpo, jogaram-no em um buraco nos fundos da residência, atearam fogo e, por fim, jogaram terra por cima. Após os atos, evadiram-se, deixando o corpo no local.
De acordo com a promotoria de Justiça, o crime foi cometido por motivo torpe, uma vez que os denunciados agiram com desejo de acerto de contas em decorrência de uma discussão anterior entre João Vitor e a vítima. Assim, decidiram ceifar-lhe a vida, alega a acusação.
À época, o caso foi investigado pela Terceira Delegacia de Polícia de Campo Grande (3DP-CG), que prendeu a dupla e outros dois suspeitos, Gabriel Morinigo Coutinho e um adolescente infrator, que na época do crime tinha 16 anos e hoje conta com 18 anos.
O julgamento ocorre na 2ª Vara do Tribunal do Júri, sob a presidência do juiz Aluizio Pereira dos Santos. Cabe aos jurados que compõem o Conselho de Sentença decidir o futuro dos réus — se pela condenação ou absolvição.
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