Uma idosa de Campo Grande teve mais de R$ 256 mil desviados em operações bancárias não reconhecidas, incluindo 933 transações em aplicativos de transporte e entrega de refeições, e conseguiu na Justiça o direito à restituição do valor e uma indenização por danos morais. A decisão da 1ª Vara Cível de Campo Grande condenou a instituição financeira a devolver R$ 256.307,19 e pagar R$ 10 mil por danos morais após o banco não comprovar a regularidade das movimentações.

O caso chamou atenção pelo volume e pelo padrão das compras identificadas nos extratos da cliente. Entre as operações contestadas, 516 estavam relacionadas ao Uber e 417 ao iFood, totalizando R$ 81.042,76 apenas nessas duas plataformas.

Segundo a advogada Lorenna Silva de Oliveira, responsável pela ação, os gastos em aplicativos não eram o único ponto questionado no processo, mas ajudaram a demonstrar o comportamento das fraudes.

“As operações em Uber e iFood chamavam atenção porque eram muito numerosas e incompatíveis com o perfil da cliente. No entanto, elas representavam apenas parte das movimentações impugnadas. O prejuízo total foi muito maior", esclareceu.

A sentença apontou que as transações apresentavam um padrão diferente do histórico de consumo da correntista e que a instituição financeira não apresentou provas técnicas capazes de confirmar que as operações foram realizadas pela própria cliente.

Para a advogada, um dos pontos de alerta é a forma como esses golpes costumam evoluir. Inicialmente, os fraudadores realizam compras menores e, ao perceberem que a vítima não acompanha detalhadamente a movimentação financeira, aumentam gradualmente os valores.

“Em muitos casos, o golpe não começa com um prejuízo elevado. Os fraudadores costumam iniciar com compras menores. Quando percebem que a vítima não está acompanhando detalhadamente a fatura, passam a realizar operações cada vez maiores”, explica.

Conferir a fatura pode evitar grandes prejuízos

O caso também serve de alerta para consumidores. A recomendação é não analisar apenas o valor final da fatura do cartão, mas conferir cada lançamento individualmente, verificando estabelecimentos, aplicativos, parcelas e cobranças recorrentes.

Segundo Lorenna, alguns minutos de atenção por mês podem ajudar a identificar uma fraude ainda no início. “Quem confere a fatura operação por operação tem muito mais chance de identificar uma fraude ainda no início, antes que ela cresça.”